Os meninos que rasgavam as embalagens




Marido e eu estávamos num shopping hoje à tarde quando, já na saída, nos lembramos de comprar fraldas descartáveis para um chá de bebê que ele irá participar.

Entramos nas Lojas Americanas porque, exceto às promoções, lá pelo que se diz, tem os melhores preços (não é publicidade paga). Depois de muitas escolhas, porque faz muito tempo que esse item deixou de fazer parte de nossas compras, fomos ao caixa. Fila enorme.

Ouvimos uns estalos. Para nossa surpresa eram quatro crianças, entre uns sete a oito anos de idade, que estavam rasgando as embalagens dos esmaltes em promoção, expostos num tabuleiro. Num impulso, eu disse “Não façam isso, vocês estão prejudicando à loja”.

As crianças se entreolharam e procuram com os olhos o adulto responsável por eles, que também estava na fila. Ninguém correspondeu. Meu marido, então, num tom mais alto, disse: “Isso se trata de educação doméstica. É um absurdo a mãe ignorar”.

Silêncio.  

As crianças continuaram mexendo no tabuleiro dos esmaltes, no entanto, sem rasgarem as embalagens. Vez por outra, olhavam para a fila em busca da cumplicidade da mãe, que permaneceu ignorando a situação.

Fomos ao caixa do lado oposto da loja e enfrentamos outra fila enorme, com tanto que saíssemos dali, porque cremos que o silêncio dos pais, hoje, tem grandes possibilidades de se transformar, amanhã, num pranto pela delinquência dos filhos.

E como disse Vinicius, no livro “Em torno do Mestre”:


Bom início de semana.


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