Vamos dar beijinho e abraço








Na semana passada, eu fui ao restaurante self-service, próximo ao trabalho. Fazia um bom tempo que não ia lá. Notei pouca diferença, exceto na hora do pagamento: o atendente do caixa era outro.

Quando eu fui passar o cartão-refeição, o atendente pediu desculpas e disse que não estava recebendo porque tinham mudado a razão social e também o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). Mas, já estavam tomando providências para voltarem a receber. Passei outro cartão.

O atendente explicou que o restaurante era do seu irmão. Agora é da irmã. Então, perguntei como estava o irmão dele e se a noiva continuava vendendo bijuterias.

Ele respondeu perturbado: - Eu não sei nada do meu irmão, nem quero saber. Nós brigamos muito.

Fim do atendimento.





Saí de lá pensando que irmãos brigam mesmo. E dizem as más línguas que é por isso que são irmãos...

Mas irmãos, ao menos em fase de crescimento, normalmente, convivem diariamente. E a convivência gera discordâncias, desencontros, disputas e ciúmes. Mas também nasce o companheirismo, a partilha, a tolerância, o amor...

Por que será que alguns irmãos se dão tão bem e outros sequer querem ouvir o nome do outro? Os livros de psicologia e religião podem responder.

Entre eu e minha irmã mais próxima são 10 anos de diferença. Sou a caçula. Portanto, não tive muito que discordar. Mas, lembro que quando meus irmãos brigavam, mamãe dizia, sem tanta delicadeza e em tom de pergunta e ao mesmo tempo de resposta:

- Quem disse que eu quero isso aqui? Quem já se viu irmão intrigado com irmã ou filho com mãe e pai? Podem acabar logo com isso.

E quem era doido de discordar da mamãe?

Então, rapidinho, todos estavam se falando e o fato era condenado ao esquecimento. Mamãe cuidava dos filhos, enquanto papai trabalhava. E construíram a saudável relação familiar.

Anos depois, com os filhos pequenos, eu e o pai nunca permitimos que as briguinhas entre eles se estendessem além da temperatura do momento.

- Então, agora acabou a raiva... Vamos dar beijinho e abraço um no outro, senão os dois vão ficar de castigo, sentenciávamos.

- Booooooraaaaaaaa!!!!

Eles, ainda com raiva, tentavam fazer as pazes.  E pouco tempo depois tudo voltava à normalidade.

Disse o pernambucano Nelson Rodrigues que toda unanimidade é burra.

Então, para evitarmos disputas, adotamos uma regra que
 continua até hoje: 

Quem nasceu primeiro?


- Raphael Felipe.

Portanto, ele terá prioridade à mesa, no recebimento do presente, de ser ouvido, nas escolhas, nos beijos, abraços e amassos.

E Amanda Carolina?

Receberá, imediatamente, tudo igualzinho ao Raphael.

Difícil mesmo é a tarefa de educar. É uma construção diária.

Acredito que a relação entre irmãos tem origem num compromisso espiritual acordado noutra dimensão, onde os desafetos retornam para se perdoarem. Mas acredito também que, enquanto pais, podemos aparar arestas do mau comportamento, incentivar a conciliação, preservar e fortalecer os laços consanguíneos e construir afetos saudáveis e eternos.

Boa semana para todos.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita.