Vou de táxi...







O Uber, aplicativo para celular, foi considerado a causa do fechamento da Knowledge Point, principal escola de Londres que capacitava motoristas para operar os táxis pretos (leia aqui). Nesta Escola, os motoristas se submetiam a um rigoroso teste de conhecimento, e eram obrigados a memorizar 25 mil ruas, 20 mil rotas de ligações da cidade, sem uso de GPS. Afinal, Londres é Londres!




A notícia me fez lembrar um episódio:

Para evitar a procura por vaga de estacionamento, recentemente, resolvi ir de táxi ao centro do Recife, num desses dias úteis da semana.

Entrei no táxi, cumprimentei o motorista e depois informei o nome da rua histórica que iria. Até então, eu acreditava que esta rua era conhecida por todos (ou quase todos) os taxistas.

O motorista fez uma careta e disse:

- Eu não sei onde fica esta rua. Fica no centro da cidade!!? Sou péssimo em nome de rua.

- A senhora desenrola?

- Sim, eu desenrolo. Pode seguir em frente – respondi.

Comprometi-me a ensinar.

Daí, comecei a me lembrar de quando eu era criança e saía com minha mãe... Como ela tinha muito medo de perder um filho, sempre teve a preocupação de ensinar o nome das principais ruas da cidade.  Então, quando passávamos, de ônibus, carro ou andando, em qualquer uma dessas ruas, ela dizia o seu nome. Como em Recife há muitas igrejas históricas, minha mãe também dizia o nome das igrejas e das pontes, acompanhada sempre de algum fato pitoresco.

Nenhum filho era doido de não prestar atenção. Porque no próximo passeio, havia a prova oral. Ela perguntava:

- Que rua é esta?

Se eu falasse que não sabia, ela imediatamente dizia:

- VOCÊ NÃO sabe que rua é esta? Eu não já lhe disse?

Apesar do medo que invadia a minha alma, eu ouvia o nome da rua novamente, desta vez acompanhada de alguns pontos de referência para facilitar a memorização.

Na viagem com aquele taxista, eu tive a oportunidade de recordar uma lição para a vida: Da época que não havia GPS, celular e tanta tecnologia que subtraem algumas lições básicas que os pais poderiam continuar transmitindo aos filhos.

Porque a rua que pedi ao taxista para me levar, apenas para situar o leitor, começa com o monumental edifício do Palácio da Justiça de Pernambuco e, do outro lado fica o Palácio do Campo das Princesas – sede do governo do Estado e o centenário Teatro de Santa Isabel. 

Nesta rua, que tem até o nome do segundo imperador do Brasil, estão: o secular Gabinete Português de Leitura, os antigos prédios onde funcionavam dois jornais de grande circulação do Estado (Jornal do Commercio e o Diário da Manhã), o Arquivo Público do Estado, a sede da Ordem de Advogados do Brasil (OAB-PE), Secretaria da Fazenda, Capela Dourada, Convento e Igreja de São Francisco. A rua também tem como referencial dois dos maiores fóruns de justiça da capital, além da Praça Dezessete e Igreja do Divino Espírito Santo.

Penso que não estou sendo saudosista, porque se existe algo que nunca seguirá modismo e tendências, chama–se conhecimento

Chegamos ao nosso destino!





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