A desigualdade



As pessoas sonham com:

·        a igualdade perante a lei,
·        a igualdade de oportunidades,
·        a igualdade de tratamento,
·        a igualdade econômica e,
·        a igualdade social. 


É lema de revoluções, é princípio constitucional e é fundamento de muitas religiões.

Pregar a igualdade é defender a humildade, a semelhança e, enfim, a justiça. Ideais altruístas que movem o pensamento e o espírito humano. Mas nenhuma paridade ou igualdade é alcançável sem a disparidade, a desigualdade e a diversidade...






As pessoas, no íntimo, instintivamente, não suportam a diferença ou a desigualdade. Combatem-na, velada ou abertamente, como uma anomalia, uma disparidade e uma excrescência...

Esquecem, no entanto, que nasceram como uma unidade corporal e espiritual exclusiva, dotada de característica e personalidade inconfundíveis. A própria natureza que as cerca e a vida, contrariando todos os ideais igualitários, são feitas de diferenças e desigualdades...

As diferenças de temperatura que evaporam e precipitam as águas, formando nuvens e chuvas na atmosfera, e que movem os ventos que esfriam a terra; as diferenças de elevação que dão movimento aos córregos, riachos e rios; as diferentes espécies de seres vivos que povoam o planeta.

Nada é igual na natureza; nem mesmo os dias e as noites ou as estações do ano que se sucedem no tempo...

Tudo está em movimento e todo movimento provem de forças que nascem da desigualdade, das diferenças em contraposição, na busca pelo equilíbrio...

Mas, uma vez alcançado o equilíbrio, vem a igualdade, a estagnação e a morte...

Viver, pois, é um ciclo natural: pôr-se, desigualmente, em movimento; sem deixar de buscar, igualitariamente, a estabilidade até morrer...


(Colaboração de Ruy Trezena Patu Júnior, magistrado e escritor)




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