Quando não houver esperança



“Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança.”

(Titãs – Enquanto houver sol)



Sempre lutei para nunca deixar de acreditar nas pessoas, nos melhores sentimentos, nas suas melhores razões, nos seus melhores motivos, nos seus melhores gestos.

Sempre lutei para não perder a esperança nas pessoas.

Sempre lutei para jamais perder a minha capacidade de se indignar diante de certas situações de injustiças, desonestidade, desigualdades, preconceitos e tantos outros sentimentos que levam o ser humano à degradação moral.

Mas nos dias atuais, penso que quando J. Cristo disse que deveríamos amar o outro como a nós mesmos, encerrando todo o seu ensinamento nesse pequeno conselho, sabia que ia ser punk. Ele lançou um extenso caminho a nossa frente e nos desafiou a atravessá-lo, mesmo sabendo que levaríamos quedas e mais quedas até o dia em que pensaríamos não haver mais esperanças de fazer parte e contribuir para um mundo melhor.

Penso que você, como eu, já deve ter se perguntado em algum momento da vida, qual é a melhor maneira de amar o outro. Sabe o outro? Não estou me referindo àquela pessoa que vemos esporadicamente, de tempos em tempos, mas aquele que está bem próximo de nós, no convívio mesmo. 

Pois é isso mesmo. Eu estou me referindo ao outro que se veste como aquele parente irritante e incompreensivo, o colega cínico, trapaceiro e desleal, aquela pessoa que tenta levar vantagem em tudo, o amigo ingrato...

Qual será a melhor maneira de amarmos aquele que não perde a oportunidade da crítica, de apontar os erros e falhas? Qual é a melhor maneira de amarmos aquele que julga, que nos fere e calunia?

Talvez você, como eu, acredite que essas pessoas jamais despertarão em nós qualquer sentimento de amor, além da decepção, sofrimento e angústia. 

Talvez você, como eu, acredite que essas pessoas são os nossos reais inimigos.  

Mas, pensando bem, acredito que no fundo do poço da desesperança, pode haver uma chama, uma luz que poderá nos fazer entender que todos nós somos falíveis, e que cada um dá o que tem.

Um dia, quem sabe, tanto você quanto eu compreenda que os pensamentos e gestos que nos maltratam e vindos de pessoas próximas sejam, nada mais nada menos, do que a espada lançada por aqueles que podem estar passando por problemas maiores do que os nossos. Porque cada qual trilha a sua estrada de dor e de problemas que lhe compete. São problemas de foro íntimo e que exigirão muito mais de nossa parte o amor em relação ao outro, do que o amor dele em relação a nós. 

“Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída.”

(Titãs – Enquanto houver sol



Bom início de semana.


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