Coisas que li por aí: o ciúme




“[...]

Maior prova da força do Amor está no vencer o inimigo interno, aquele que se aninha no coração e na mente de um dos amantes.

Na trágica criação de Shakespere, o Amor é derrotado: Othelo deixa-se consumir pelo tormento da dúvida e põe fim à vida de sua amada Desdêmona. Da dúvida, digo, mais que do subproduto ciúme, dado que este último costuma abater tão-só os fracos e inseguros, ainda quando inexistente justificado plausível.

Não é o ciúme que ensaio abordar, mas a angústia opressora, implacável e mortal, que advém da dúvida com relação à pessoa amada, ao passado irresolvido ou futuro irresoluto, ao caráter, à sinceridade, à verdade.

Quantos vencem esse terrível ácido-que-corrói? Quão forte há de ser o Amor para sobrepujar esse mal aniquilador?

E no entanto, quando contra tal inimigo interno vence o Amor e, mais ainda, quando à batalha sobrevém o perdão (que mais a quem perdoa gratifica que àquele a quem o perdão é dado), então daí resulta felicidade interior tal e tanta, inefável e sublime, que a Virgílio poderiam ter faltado palavras para descrever.” (destaque do autor)






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