Orgulho medonho





Cristiano Ronaldo, jogador do Real Madrid






Orgulho é a manifestação da soberba. E a soberba é um dos sete pecados capitais atribuídos ao ser humano como empecilho para sua evolução moral e espiritual. Por isso, qualquer pessoa taxada de orgulhosa é mal visto por outrem.

Segundo Houaiss, no seu dicionário Sinônimos e Antônimos, da Publifolha,  o orgulhoso é o ser afetado, imponente, inchado, opinioso, pedante, presumido, pretensioso e tantos outros adjetivos contrários à modéstia, humildade, moderação, singeleza e simplicidade. Pela definição, chega-se mesmo a confundir com a vaidade. O mesmo autor, no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, edição 2009, pela Objetiva, define para o verbete "orgulhoso" um sentimento de  prazer, de grande satisfação com o próprio valor, com a própria honra.

Dentro desse aspecto, e para não pecar (Aí meu Deus!), eu fico pensando até que ponto esse sentimento nos leva ao limbo. Ou seja, que o limite estabelecido entre o sentimento de satisfação e o pecado é bastante sutil.  E faz dias que me encasqueto com isso...

Conheço uma senhora, já bem idosa, que tem como profissão ainda ser faxineira. Ela limpa um banheiro como poucos e tem o prazer de ensinar, para quem deseja aprender, qual o passo a passo da limpeza que não provoque reclamações. Quase todos os dias, vejo esta senhora se orgulhando do que faz e de como faz. É pecado? É pecado ter satisfação do dever cumprido? É pecado ter prazer em... ou disso ou daquilo?  Ontologicamente, o prazer sempre foi condenado por algumas correntes religiosas que buscaram exaltar o sofrimento, tornando-o sublime e angelical.

Mas, na semana que estamos muito mais voltados a dor e ao sofrimento como forma de redenção espiritual, fico pensando se nós seres humanos, que somos capazes de cometer atrocidades inimagináveis (haja vista os noticiários) não somos dotados também de uma falsidade em relação a nós mesmos e tentamos camuflar sentimentos e sensações que nos dão alegria e satisfação?

Caso contrário, quando alguém perguntar para qualquer um de nós se somos bons estudantes, profissionais, pais de família, amigos, companheiros, honestos, competentes, honrados e tantas outras condições, poderemos responder no diminutivo: Sou um profissionalzinho, um estudantezinho, amiguinho, nem tão honesto, nem tão competente, nem tão honrado, nem tão atencioso com a família... Tão mediocrezinho.

Difícil, não é verdade dizer o que não sentimos?

Então, sejamos sinceros conosco ao responder:

Temos orgulho do que fazemos?
Temos orgulho da família?
Temos orgulho de sermos honestos?
Temos orgulho de sermos competentes?
Temos orgulho de sermos amigos e companheiros?
Temos orgulho de sermos honrados?

Porque se existe a inveja boa, deve haver orgulho inofensivo.

Que tal dividirmos ou exorcizarmos a culpa? 

Bom início de semana.





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