Porque metade de mim é amor... e a outra metade também







Admiro as mulheres que, em pleno século 21, escolhem ficar em casa, cuidar de filhos, marido, cachorro, periquito, papagaio e toda a sorte de ocupações domésticas que envolvem uma casa e filhos.

Mas, com todo respeito que eu tenho as opções de vida, nem uma delas me causa inveja. Desde adolescente, nunca imaginei vivendo nessa condição. Como acredito que esperar provoca desconforto, ficar como #mulher-espera poderia causar em mim uma monotonia e uma vontade de fazer algo mais - que poderia causar um estresse maior do que as cobranças das rotinas profissionais fora do lar.

Esperar o marido chegar em casa para atender as necessidades que passam, desde as metas básicas e  materiais, até definir o rumo dos acontecimentos que estão ligados aos projetos futuros da família, sem ser um dos atores principais na sua execução, é uma escolha para quem já nasceu com essa vontade ou dom. Nada contra. Mas, fico imaginando que além de mãe, essas mulheres conseguem também ser babás em tempo integral. 

Afinal, todo caminho resulta de uma escolha. A escolha é precedida de um sonho. E muitos sonhos não são fáceis de serem concretizados. Dessa maneira, penso que a vida da #mulher-espera não é fácil, e faz parte de um jogo de xadrez onde o rei não deve ser derrubado, exceto se houver uma sacudidela da vida e a realeza seja ameaçada na sua paixão,  amor e status social. Mas também, as sacudidelas da vida fazem parte da realidade de todas, sem exceção. (“Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio” – Oswaldo Montenegro)

Então, sempre me imaginei pelo mundo afora, mas ao mesmo tempo dentro do lar, caminhando ao lado de marido e filhos. Se árduo é o trabalho das donas de casa, na mesma face da moeda está a consequência de quem, após parir escolhe entregar um filho meses depois a uma babá ou creche, para ir à luta e continuar buscando sua independência ao invés de ficar 24 horas chocando sua cria, sem trégua. (“Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade” – Oswaldo Montenegro).

Contudo, passada a fase de adaptação entre mãe e filho da partida a cada manhã (que é relativamente rápido), a mulher que escolhe continuar exercendo sua profissão pode ser movida por uma irresistível paixão pelo que faz e, aos poucos e com muita dor, ir compreendendo que o importante é mesmo a intensidade dos momentos vividos junto aos filhos, o compartilhamento das emoções, o comprometimento com a construção de sua educação e futuro, além da atenção integral que dedica a cada um quando está ao seu lado. (“Porque metade de mim é o que penso, mas a outra metade é um vulcão” – Oswaldo Montenegro)











Porque, escolher não trocar fraldas todos os dias e o dia todo, nem ajudar em todas as tarefinhas escolares não significará jamais a ausência, a irresponsabilidade ou qualquer outro sentimento que nos tornará menos mãe e mulher.  E nesse contexto, é sempre bom lembrar que nós mulheres dispomos de uma capacidade enoooorme de lidar com os múltiplos papéis e, em cada um deles buscar a perfeição.  Por isso, não me arrependo da escolha de ser mãe e trabalhar fora do lar porque “metade de mim é amor... e a outra metade também” – Oswaldo Montenegro.


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