Mais qualidade de vida, menos agrotóxicos






*por Amanda Duarte

No último dia útil de cada semana, o pátio ao lado da Igreja Matriz do Espinheiro, no bairro onde moro, é ocupado por nove barracas que compõem a Feira Orgânica do Espinheiro. Os alimentos ofertados são comuns, mas têm um diferencial que atrai muitos fregueses: são produzidos sem agrotóxicos.

De acordo com a engenheira agrônoma Ana Paula Carvalho, para ser chamado de orgânico, o alimento precisa atender a uma série de especificações. “A fazenda ou horta onde vai ser produzido o produto orgânico tem que obedecer a uma cadeia produtiva totalmente livre de insumos externos, caracterizados pelos adubos, fertilizantes e pesticidas”, afirma. Em Recife, esta segurança é passada ao consumidor por meio do cadastro dos vendedores na Prefeitura. Só depois de adquirir o registro eles estão aptos a participar de feiras e comercializar orgânicos em barracas padronizadas e usando uniformes.





A médica Fátima Bogea, frequentadora assídua de feiras orgânicas, garante que pagar um pouco mais pelo produto vale a pena quando se sabe que a fonte é confiável. O feirante Elias Luís comprova. Ele sempre trabalhou na agricultura e comercializava não orgânicos na feira da Ceasa. Há 8 anos resolveu eliminar os agrotóxicos da produção e ressalta os benefícios. “Mudei para os orgânicos porque eles são sadios. E quando nós produzimos uma mercadoria saudável ela vende mais. Nem quando eu trabalhava na Ceasa vendia tanto como agora”, comenta.

Os produtos do Seu Elias vêm da cidade de Pombos, no interior de Pernambuco. Mas é o município de Vitória de Santo Antão, seu vizinho, que fornece os alimentos da maior e mais movimentada barraca da feira. Para o feirante Renato Vítor, a sexta-feira começa cedo. Acompanhado pelo pai, Paulo Maurício, que também é feirante, Renato sai da cidade de Vitória, na Zona da Mata pernambucana, em direção à capital, percorrendo 55 quilômetros. Todos os itens comercializados na barraca são produzidos pela própria família, em casa.




A Feira Orgânica do Espinheiro acontece das 6 às 12 horas da manhã, atraindo pessoas preocupadas com a saúde e qualidade de vida, como Edvaldo Lopes, 62 anos. Ele explica que depois de virar corredor só compra produtos orgânicos e a repercussão na família é grande. “Quando eu preparo o almoço, o gosto do alimento fica bem melhor. O pessoal de casa percebe logo se não foi feito com orgânicos. Se for com os produtos daqui o sabor é outro, bem superior”. O que o paladar do Seu Edvaldo sente é comprovado cientificamente. De acordo com Ana Paula Carvalho, o aceleramento na cultura dos alimentos muda o sabor deles. Como a produção dos orgânicos respeita o tempo natural de amadurecimento, o gosto é melhor.

A agrônoma finaliza recomendando a pré-lavagem dos alimentos sempre, sendo orgânicos ou não. A higienização é necessária para eliminar impurezas que se acumulam com o manuseio das frutas, legumes e verduras. Caso os produtos apresentem resíduos de agrotóxicos, eles serão minimizados no momento da higienização com algum ácido, que pode ser cloro, vinagre ou limão.


*Minha filha.



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