Espalhando amor por aí















No aniversário quem escolhe o presente é o aniversariante. Justo!

E quem ganha o presente também é o aniversariante. Certo? Errado.

A blogueira Elaine Gaspareto resolveu comemorar seu aniversário, virtualmente, e convidou todos(as) os(as) blogueiros(as) de plantão para escrever, no período de 07 a 20 de setembro, sobre um tema cultivado pelos poetas, pintores, compositores, artistas de variados segmentos, e todos que se arriscam a tentar materializar um sentimento tão sublime e essencial à vida de todos nós: o amor. Muito já se falou sobre o amor, mas Elaine lançou um desafio: Espalhe amor em seu blog.






Falar de amor não é difícil. Difícil é colocá-lo em movimento. Acredito que todos nós temos um repositório de amor escondido e, às vezes, lacrado dentro de nós, mas se estimulado pode mudar o mundo...

O amor em movimento, em todos os ciclos e esferas da vida, deve ser proporcional ao estarmos preparados para não sermos correspondidos na mesma intensidade como julgamos merecer. É nesse patamar que se configuram as decepções, desilusões, ingratidões e todos os ões que maltratam, machucam e nos faz sofrer. Todos, sem exceção. Mas, 





Se pararmos pra pensar... Paramos, literalmente, de acreditar nas pessoas... e a amargura entrará em nós. Vamos encarar? Claro que não. Estamos falando do amor em todos os sentidos da vida.

Com base nisso, considero que é bem mais fácil ser gentil do que amoroso. “Gentileza gera gentileza” - esse sentimento, traduzido como delicadeza, urbanidade e civilidade. E se não recebermos na mesma proporção que damos, no mínimo, ficamos insatisfeitos, às vezes indignados, tomamos como ingratidão (temporária), podemos até taxar o outro de mal educado, porque afinal “cada um dá o que tem”, não é verdade (?). Mas, esquecemos o fato, com o tempo.

E com o amor? Ah! O amor... Esperamos reconhecimento, gratidão e o mais complicado – transformação. Isso mesmo. Uma transformação que atenda muito mais aos nossos anseios, desejos e ideais do que mesmo o do outro, que é alvo da nossa flecha amorosa. Difícil! Sempre será.

Esquecendo que não devemos conjecturar sobre o amor, mas espalhá-lo, como solicitado pela aniversariante e, homenageando a quem tanto se preocupa em, não apenas fazer templates, mas oferecer dicas sobre como criar, enriquecer, renovar e manter um blog – Elaine Gaspareto, nada melhor  do que falar sobre o coletivo. Porque


“Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz”

(A paz, Roupa Nova)


Faço parte de um grupo religioso, desde os fins da década de 80, e lá se vão daqui a pouco 30 trinta anos. A fraternidade é o nosso lema, e ser fraterno sugere que somos carinhosos, afetuosos e amigos. Colocamos como nosso primordial objetivo: despertar - primeiro em cada um de nós, e depois no outro, a vontade de exercer mudanças capazes e suficientes de nos tornarmos melhores do que ontem, em relação aos sentimentos condenados e condenáveis pelos cristãos, porque somos espíritos eternos falíveis e falidos. Mas, em evolução.

Dentro desse aspecto, o Grupo Fraterno Despertar hoje se reúne quinzenalmente, aos sábados à noite, num local singelo, alugado e pago através das doações espontâneas de seus membros, que somam quase 25, divididos entre seis famílias. 

Como espíritas, nossa finalidade é estudar o evangelho do Cristo, ao mesmo tempo em que tentamos auxiliarmo-nos no plano tangível/material e intangível/invisível. Mesmo renunciando as diversões, quinzenalmente, já estamos na segunda geração de seus membros e avançamos.








Nossas confraternizações, sempre em dezembro. Mantemos.










Mantemos também, mensalmente, uma campanha de assistência material. 
Atualmente, visitamos o Núcleo de Apoio aos Doentes do Interior (Nadi) onde são abrigados, temporariamente, doentes que estão em tratamento de câncer e não têm como se manter. Contribuímos com leite em pó. Mas, no decorrer desses quase 30 anos, nossa campanha já visitou abrigos de idosos, favelas, creches e as ruas. E foram nas ruas que, particularmente acredito, recebemos muitas lições valiosas.




A foto que sempre tirávamos ao sair do Abrigo de Idosos.  
A criança é meu filho Raphael Felipe, que hoje (19 de setembro de 2014) está completando 23 anos.

Donativos sendo entregues no Abrigo de Idosos.

*
Por mais de cinco anos levamos assistência às pessoas que moravam entre as ferragens de uma ponte no Recife, sob as águas do Rio Capibaribe.


[...]
“Como o rio
Aqueles homens são como cães sem plumas
Um cão sem plumas é mais que um cão saqueado;
É mais que um cão assassinado.

Um cão sem plumas
É quando uma árvore sem voz.
É quando de um pássaro suas raízes no ar.
É quando a alguma coisa roem tão fundo
Até o que não tem.
[...]

(Cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto)


É nessa campanha que vou me deter. Porque foi lá, nas nossas idas aos domingos, pela manhã (bem cedinho) para distribuir mungunzá, pães, cestas básicas, enxovais e tantos outros donativos arrecadados com os amigos e simpatizantes à causa que aprendemos as várias expressões do amor:

- O amor livre das conveniências sociais. Porque mesmo morando dentro das ferragens, entre insetos e papelões, os moradores faziam questão que entrássemos nas “casas” para visitá-los. Era uma alegria. Subíamos por uma escada improvisada e sequer podíamos levantar a cabeça, porque na “casa” não havia condições de ficarmos em pé, apenas sentados ou agachados, num calor escaldante tendo o asfalto como telhado.

- O amor vestido de respeito. Os moradores se drogavam, mas tinham um pacto entre eles: quando  o nosso Grupo estava lá, nenhum deles poderia cheirar a cola ou ingerir qualquer tipo de alucinógeno.

- O amor sem preconceito. Reuníamos muitos amigos em torno dessa campanha, mas, sobretudo íamos livres para abraçar, literalmente, todos que vinham conversar conosco e eram muitos.





Na foto acima, meus filhos Raphael Felipe e Amanda Carolina ainda crianças.


Todos despertandos embaixo das ferragens da Ponte Limoeiro, em Recife.
*

- O amor que provoca e mantém a união. A campanha era maior do que todos os membros do Grupo, porque estava acima das nossas opiniões particulares que, às vezes, dividem.

- O amor em ação. Tivemos o prazer de fazer várias comemorações, entre elas Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia da Criança.










- O amor vencendo desafios. Foram muitos, e enfrentados por todos os membros do Grupo. Mas, posso falar por uma ocasião que me marcou muito e como está próximo do Dia da Criança, posso citá-la: Tínhamos conseguido uma pessoa que iria se vestir de palhaço, mas devido a outros compromissos, ela não pôde ir. Quando cheguei em casa, numa sexta-feira à noite, e depois de um dia de exaustivo de trabalho, lá estava a roupa do palhaço. Mas quem iria vesti-la? Não havia ninguém e isso me deu uma tristeza.

Entrei no meu banheiro, tranquei a porta e com a pomada Minâncora que tinha em casa, meus batons e os lápis coloridos dos meus filhos (que eram crianças), fui desenhando em mim uma maquiagem de palhaço, intuitivamente. Coloquei a peruca, a roupa de palhaço e perguntei ao marido: 

- E então, dá para eu ser o palhaço no domingo? 

Ele, também membro do Grupo, disse-me: - Vai em frente. E fui. 

Jamais esquecerei a alegria das crianças pulando e abraçando o palhaço. Foi um dos prazeres inesquecíveis. Eu me esqueci da vida. Meus filhos (que sempre levei para essas campanhas e que muito facilitou nossos diálogos quando eles entraram na adolescência) foram cuidados pelo Grupo. Eu era a palhaça e esqueci de mim. (Infelizmente, não encontrei as fotos deste dia).

Penso, Elaine, cá com meus botões, que o amor em movimento é isso: Pensar no outro, suficientemente, até esquecer de nós. Então não haverá espaço para mágoas, imperfeições, julgamentos dos erros e cobranças de acertos. Só haverá satisfação em proporcionar satisfação.

Feliz aniversário, Elaine Gaspareto. Que Deus, na Sua infinita misericórdia possa abençoar o seu acordar, dando-lhe força, coragem e discernimento, todos os dias, para vencer o que a vida lhe apresentar de mais difícil e exaustivo. Vencendo, você encontrará a paz e a felicidade. É isso que lhe desejo.







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