Copa das Copas








por Amanda Carolina 


Termina hoje o mundial que já está sendo considerado a “Copa das Copas”. Mas as lembranças desses 32 dias permanecerão na minha memória. O Brasil não foi campeão, o desempenho da nossa seleção deixou muita gente triste, mas... sinceramente?

Para mim foi só um detalhe. Eu vivi uma Copa do Mundo no meu país como poucos. Tive o prazer de recepcionar os turistas que vieram torcer nos jogos da Arena Pernambuco e pude notar como cada cultura possui singularidades: desde animados mexicanos, até japoneses mais introvertidos, porém, educadíssimos, passando por americanos, costa-riquenhos, italianos, croatas, alemães...

Eu vi pessoalmente tudo o que acompanhei pela TV em mundiais passados. Isso não tem preço, muito menos salário.

O meu trabalho na Arena foi recompensado no momento que encontrei e fiz amizade com pessoas especiais que compartilhavam o voluntariado;

Foi recompensado quando os gringos vinham me perguntar onde eles podiam conseguir tapioca, porque tinham adorado a nossa “iguaria”;

Foi recompensado quando mamães grávidas me pediam para tirar fotos priorizando a barriga porque elas iriam mostrar para os filhos que eles estavam presentes na Copa do Brasil;

Foi recompensado pelo espetáculo de criatividade dos torcedores fantasiados: Capitão América, estátua grega, Frida Kahlo, águia americana, gueixa, gregos devorados pelos tubarões em Boa Viagem, Estátua da Liberdade...;

Foi recompensado quando uma pessoa com dificuldade de locomoção me agradecia pela cadeira de rodas oferecida;

Foi recompensado quando eu via os ganhadores comemorando e os perdedores entrando na festa do lado de fora do estádio;

Foi recompensado quando um grego achou tão legal eu ser voluntária que afirmou que seria voluntário na próxima Copa e começou a perguntar sobre os passos que eu segui;

Foi recompensado quando antes da abertura dos portões eu ficava olhando para todos os lugares, tentando guardar os detalhes na memória porque (apesar da ficha não ter caído) eu sabia que estava vivendo um momento histórico;

Foi recompensado quando já voltando para casa – na estação de metrô – anotei as orientações para um costa-riquenho perdido voltar para o hotel em Olinda e ele me respondeu com um sorriso enorme de alívio e abriu os braços pedindo um abraço;

Foi recompensado quando, no último jogo, os torcedores saíam do estádio nos agradecendo e parabenizando. VALEU MUITO A PENA!

E sobre o jogo de hoje... Eu quero ver a mesma felicidade que os alemães sentiram quando ganharam dos Estados Unidos. A alegria era tanta que só em Copa do Mundo mesmo para eu ver gringo fazendo trenzinho ao som do hino alemão no metrô do Recife. 

2 comentários:

  1. Existem muitas coisas na vida que nos mostra que dinheiro não é tudo. O voluntariado é uma delas. Parabéns, minha filha. Estamos felizes de saber o quanto você soube aproveitar essa experiência singular.

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  2. Os bons momentos vividos são enriquecedores quando são bem aproveitados, fico feliz quando pude ver e ouvir, e agora ler algumas dos momentos marcantes expostos neste período de efervescência cultural e esportivo.
    Parabéns pelas boas lembranças, isso ninguém nunca irá tirar de você, a experiência de ter participado dessa bela festa, com compromisso em fazer bem feito o seu trabalho.
    Não importa se não houve pagamento, pois foi voluntariado, e disso se sabia desde o princípio.
    Parabéns pelo seu sorriso. Parabéns pelo seu comprometimento. Parabéns pela experiência.

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