Minha máquina de escrever









Ganhei de presente uma máquina de escrever. Sério? Isso mesmo. No tempo das tecnologias digitais, dos computadores, tablets, smartphones e da novela Geração Brasil, poucas pessoas iriam pensar numa máquina de escrever e ainda por cima... manual. Uma amiga estava para se desfazer e me ofereceu. Imediatamente, aceitei. A máquina, com outra que eu já tinha, faz parte da decoração da casa, ao mesmo tempo, que representa boas lembranças. Presente valioso!

Lembro-me dos trabalhos escolares na adolescência, escritos em folhas de papel pautado. Fazíamos a margem marcando o papel nas laterais, depois desenhávamos a capa e quem tinha letra “bonita” se arriscava a escrever o título. Quem não dominava a caligrafia usava réguas específicas - os famosos normógrafos. Aliás, havia normógrafos para tudo: caracteres, mapas, desenhos etc. Depois, o trabalho era escrito, manualmente, em várias folhas.



Outra máquina Olivetti que temos em casa.
Esta, do meu marido, é guardada a sete chaves porque foi presente de seu pai .

Mas, o diferencial mesmo era fazer o trabalho numa máquina de escrever. Era chique. Poucos estudantes dispunham de uma máquina, e a escrita exigia atenção porque não havia as teclas (delete ou Ctrl+Z). Portanto, para corrigir o erro usava-se o lápis-borracha, corretivo, e depois apareceu a fita corretiva. Todos deixavam o papel manchado e não tinham como, na verdade, esconder o erro. Também não havia possibilidade de “copiar e colar” (hoje seria um desespero para alguns estudantes). Poderíamos sim, até copiar, manualmente, trechos de livros e enciclopédias, situação bem comum à época, mas acredito que aprendíamos ao menos lendo e escrevendo as palavras. Quem não se lembra dos famosos ditados e cópias como tarefas de casa?

Ah! E quem não se lembra, também, das brincadeiras em sala de aula para reproduzir o som da máquina de escrever? Demais! Enrolávamos uma folha de caderno e soltávamos na mesa. Depois fazíamos como se estivéssemos datilografando. O contato do papel com a mesa reproduzia perfeitamente o som do teclado. Era ótimo! E tão inocente quanto jogar bolinhas de papel nos colegas de turma!



Outra Olivetti que tenho. Esta, eu fixei na parede de tijolos aparentes da casa  de veraneio.


Ter agilidade escrevendo na máquina estava reservado para quem tinha feito o curso de datilografia, caso contrário, era uma vergonha ser “dedografa”, ou seja, ficar procurando as teclas para escrever - o que muita gente faz hoje para digitar, sem o menor constrangimento. O filme “A datilógrafa (Paris Filmes, 2012)” mostra bem isso: houve uma época em que a velocidade em datilografar garantia a empregabilidade. No filme, a personagem Rose Pamphule (Déborah François) ambiciona ganhar a competição internacional de datilografia. Dá para imaginar hoje? 


Cena do filme "A datilógrafa" (Paris Filmes, 2012)

Tantas são as recordações de minha relação com a máquina de escrever... Fiz o curso em poucos meses e pela manhã. Mas, à noite... Ah, à noite... eu sonhava datilografando. Horrível! Acordava cansada. 





Hoje, sei que minha ansiedade em decorar a posição das teclas (uma exigência do curso) me levava a passar a noite toda datilografando. Uma chatice!

Mas, um dia, eu já com vários quilômetros de profissão, estava trabalhando quando uma servente, que fazia a limpeza diária da sala, ficou me observando sem que eu notasse. Depois disse com tom de surpresa: Joseane escreve no computador sem olhar “pro” teclado. Daí, conclui que ter feito o curso de datilografia foi uma aprendizagem para o resto da vida (como dirigir também). Ainda hoje conheço escritores, e renomados, que mantém sua máquina de escrever. Quando eles vão publicar seus famosos livros, contratam um profissional para digitar o texto - um gesto quase impensável para uma geração que inclui meus filhos e muitos dos meus amigos.





2 comentários:

  1. Olá Joseane,
    Parabéns pelas ideias!
    Tenho uma máquina de escrever antiga que era da minha mãe (Remington 25), e a tempos quero parafusar na parede da sala, mas não sei como.
    Sua caixa é de plástico, por isso não sei bem como parafusar na parede sem que quebre a parte plástica.
    Sabes como eu posso fazer isso, de uma forma que o seu peso não quebre essa parte plástica e fique bem firme presa?? Como é que tu prendestes a tua nesta parede de tijolos?
    Obrigada

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    1. Foi meu marido que fixou com auxílio de uma furadeira. Primeiro ele achou um espaço nas laterais da máquina e fez os furos, assim como na tampa. Depois furou a parede e fixou com buchas. Beijos.

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Obrigada pela visita.