Eu tenho medo.








Difícil de admitir, mas eu tenho medo. Mas, medo de quê? Medo de insetos, de barata, rãs, sapos, cobras? Medo de altura, da violência, da doença e da morte?

Quando nós falamos “eu tenho medo”, a frase soa quase como sinônimo de fraqueza e covardia. Porque o medo deixa todos nós acuados, inseguros, desanimados, emotivos e, até certo ponto, irracionais. Paralisamos, momentaneamente, a razão. Se consultarmos o “Dicionário sinônimos e antônimos”, na sua versão ampliada, 2ª edição, editado pela Publifolha, e de autoria do falecido Antonio Houaiss, saberemos que “medo” está para covardia, pavor, horror, temor, apreensão, inquietação e preocupação, sentimentos que, com certeza, queremos bem distante de nós.

O mesmo autor, no seu “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”, edição 2009, publicado pela Objetiva, define o medo como um “estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência ao se sentir ameaçado”. Então, temos medo de tudo aquilo que possa ameaçar a nossa integridade física, moral, mental e espiritual. E a ameaça faz parte do que foge ao nosso domínio.

Portanto, levando em consideração que nenhum de nós tem o domínio absoluto da vida, nosso medo real não se restringe aos insetos, aos objetos, a lugares, mas sim aos fatos que podem nos levar a situações de dor, sofrimento e perda.

Perguntamos para 10 pessoas, entre as quais, o repórter Francisco José, conhecido por se arriscar na produção de centenas de reportagens pelo mundo afora, sendo uma de suas últimas, divulgada no Fantástico, a de mergulhar entre os tubarões no limite do Triângulo das Bermudas:


Qual o seu maior medo na vida?


“Eu tenho medo de sala de cirurgia, sendo o paciente. Tenho medo do que possa acontecer sem que eu tenha o controle da situação. Não tenho medo de morrer, porque se eu tivesse não me arriscaria em fazer algumas matérias que exigem desafios, mas de sofrer.”
                                                        (Francisco José, repórter – 70 anos)

"Tenho medo de ter uma doença grave, ficar num estado vegetativo e ser um estorvo para a família. Tenho três filhos e já disse que, na posse do laudo de uma equipe médica competente que afirme que estou no término da vida, eles estão autorizados a finalizar meu sofrimento. Inclusive, tenho a intenção de formalizar meu desejo oficialmente, através de documento reconhecido pela justiça. Sou uma mulher independente e acredito que, na vida, estamos para servir e contribuir. Por isso, no dia em que meu corpo não me dê autonomia, quero partir o mais rápido possível."
(Maria Guadalupe Freitas, 51 anos - advogada)

“Eu tenho medo de envelhecer sozinha. Não estou falando isso por causa do meu companheiro. Eu sou casada. Mas, tenho medo de, na velhice, ser desprezada pelos meus filhos.”
(Socorro Nogueira, 45 anos - funcionária de departamento financeiro)

“Eu tenho medo de perder meu filho João Gabriel, que está com 5 anos agora.”
(Álvaro Leal, 30 anos – empresário)




“Eu tenho medo de morrer e de tudo que se relaciona à morte. Isso inclui também o medo de perder meus pais.”
(Mariana Amanda, 28 anos – operadora de sistema de televisão)


“Meu maior medo na vida é não conseguir proporcionar a minha família a mesma segurança que tento passar para a sociedade, como profissional. Ou seja, de sair de casa e não voltar, deixando minha família desamparada.”
(Diogo Barbosa, 33 anos – soldado da PM)

“Antes de ser mãe, eu nunca tinha experimentado um sentimento desses, de insegurança e medo. Meu maior medo é perder meu filho. Michael só tem 2 aninhos, mas é a minha vida... “
(Elicleide Maria, 28 anos – recepcionista)

“Sou evangélico, mas estou afastado da Igreja há alguns anos. Isso tem me perturbado muito e se transformou num medo de morrer sem salvação, não aceitando Jesus - que se sacrificou para salvar a humanidade...”
(Flávio Claudino, 33 anos – operador de caixa)

“Eu tenho medo de fracassar na vida. Eu quero ficar velhinha, mas tentando sempre melhorar todos os aspectos de minha vida. Tenho medo de um dia, me acomodar a qualquer situação. Quando eu chegar na velhice, não quero pensar que jamais tentei mudar algo que me incomodava. Posso até consertar uma situação, mas não quero amargar o sentimento de não ter tentado melhorá-la.”
(Conceição Acioli, - auxiliar administrativo)

 “De perder você.”
(Everaldo Soares, 48 anos – professor)





Um comentário:

  1. Não tenho medo de morrer. Tenho medo de sofrer e ficar dependente das pessoas. Ah! Tenho medo de todos os bichos, menos de pássaros (tenho pavor a lagartixa. kkkkkk).

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