Em 2 dias, uma grande descoberta




Não sou de comentar filmes que assisto mas, como entretenimento, sempre acreditei ser a sétima arte uma das melhores opções: bons filmes, boa companhia e pipoca oxigenam a vida, relaxam e dão prazer.







O filme “2 Dias em Paris” não é uma daquelas películas em que a emoção fica à flor da pele. Também não é um filme que tenha como temática secundária os costumes, tradições e a cultura da Cidade Luz. Digamos ser um filme água com açúcar... mas envolvente, porque coloca em xeque o relacionamento de duas pessoas que estão juntas há dois anos e descobrem, justamente em Paris, o quanto ainda não se conhecem. Surpresa? Até aí, nenhuma. Quantas vezes nos surpreendemos com quem convivemos há anos, seja na amizade, com as pessoas da família ou num relacionamento afetivo? Você deve estar pensando: inúmeras vezes.

Pois bem! O filme, com algumas cenas pitorescas que identificam a diferença de gostos que impera entre qualquer casal, surpreende apenas quando revela que Marion (Julie Delpy), uma fotógrafa francesa vestida com roupas singelas, tem valores liberais, sobretudo se tratando de sexo. E seu namorado Jack (Adam Goldberg), um designer americano com corpo todo tatuado, fumante, hipocondríaco, organizado e lindo, cultiva sentimentos moralistas.

Em Paris, depois de ter passado por Veneza (Itália) e ainda de férias, o casal se hospeda no antigo apartamento da fotógrafa. O apê, minúsculo e bem parisiense, fica no andar superior do sobrado onde moram os pais de Marion. A convivência do designer com a família da fotógrafa é cheia de tropeços e desencontros de hábitos e ideais.  

Paris também oferece a oportunidade de Marion encontrar seus amigos e, para surpresa de Jack, muitos deles são seus ex-namorados. Cenas de ciúmes e pouco apimentadas, papos vazios dos amigos, disputas silenciosas e disfarçadas entre o casal vão construindo um final que pode responder a pergunta feita desde que o mundo é mundo: Por que pessoas tão diferentes permanecem juntas e mantém a cumplicidade? "[...] trajetórias opostas, sem jamais deixar de se olhar (Gonzaguinha).

Assistam. 

E como diz Içami Tiba:




“Eu sou branco
Você é vermelha.
Quando estamos juntos somos rosa.


Antes de conhecer você, até que eu vivia bem sozinho.
Comia o que queria, na hora que eu bem entendia.
Era liberdade, independência e auto-suficiência.

Quando vi você, fiquei feliz e vermelho de paixão.
Nem percebi que eu não era mais o branco.
Foi então que o vermelho ameaçou me sufocar.

Comecei a me irritar e brigar com você.
No fundo porque você era vermelha,
E não branca, como eu queria.




Por vezes, percebi-me querendo mudar sua cor.
Você soube permanecer vermelha, não se tornou branca.
Branca nada acrescenta ao branco.

E assim, entre nós, foi-se formando o rosa.
Mas tive receio de perder minha personalidade.
Temi perder minha individualidade.

Descobri: branco transformar-se em rosa
Não é perder-se, desestruturar-se e desaparecer...
É crescer, complementar-se com a vermelha.

Meu temor ao rosa deu lugar ao prazer
Da convivência, do relacionamento
Do amar e ser amado.




Dá mais trabalho porque nada pode e deve ser só branco,
Mas tudo pode ser mais gostoso e rico com a vermelha.
Com ela vive-se o prazer, a cor, o amor.

Ser rosa é carregar dentro de si a vermelha.
É ter sua presença, pela saudade, na solidão,
É destacá-la no meio da multidão.

Pode ser muito bom um lanche branco,
Mas nada supera um singelo jantar rosa.”

                                                      (O amor é rosa, de Içami Tiba)






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