Do passo ao Paço



por Amanda Carolina, minha filha



É Frevo!



No carnaval pernambucano, passistas encantam a multidão com uma dança alegre, colorida e quente. Eles são mestres do Frevo que, não por acaso, tem seu nome ligado ao termo ferver, como se o chão estivesse em chamas. Talvez um profissional possa lhe ajudar a executar os mais de 100 passos de Frevo já catalogados, mas não é preciso ser um para arriscar alguns movimentos.

Todo pernambucano sabe dançar Frevo, à sua maneira. O ritmo popular é símbolo da cultura pernambucana e corre nas veias de quem nasce no Estado. Frevo de bloco, Frevo de rua ou Frevo canção? Há um estilo que agrade cada pessoa e a origem de todos está sendo contada no Paço do Frevo. Inaugurado em fevereiro, o Paço é um ambiente de tributo, homenagem, exposição e perpetuação desse patrimônio cultural e imaterial da humanidade.


O edifício que sedia o Paço do Frevo surgiu, como o ritmo que ele homenageia, no Bairro do Recife, sendo também tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O imóvel foi recuperado e agora abriga um complexo cultural com três andares que fazem os visitantes mergulharem na história.





No hall de entrada já é possível imaginar o que nos espera. Somos recebidos pelos principais nomes da cultura do Estado, como Ariano Suassuna, Antúlio Madureira, Antônio Nóbrega e Alceu Valença, que nos contam (em português e inglês) suas trajetórias com o Frevo por meio de entrevistas que podem ser visualizadas em um paredão de telas. Enquanto assistimos, podemos degustar um lanche na simpática cafeteria.






Depois de sabermos um pouco como o frevo entrou na vida dos ilustres pernambucanos, entramos em uma linha do tempo que conta a história do ritmo ano após ano, desde 1908. Nas paredes, junto com as placas que carregam os fatos anuais mais relevantes, também podemos ver fotos de carnavais antigos, com as roupas coloridas e sombrinhas – símbolos do Frevo – sempre presentes no meio da multidão. A linha do tempo percorre pouco mais de cem anos e para em 2014, onde um telão mostrará o que acontece de importante (como a criação do próprio Paço).










No centro do salão podemos folhear um enorme livro com mais curiosidades sobre o carnaval, como o marco histórico do surgimento do confete, em 1887, noticiado pelo Diário de Pernambuco. Os visitantes também são convidados a contribuir com a história: podemos deixar mensagens registradas na parede, usando giz que estão dispostos em suportes espalhados pela sala. Os pesquisadores, estudantes e curiosos que quiserem mais informações sobre o ritmo poderão encontrar no Centro de Documentação Maestro Guerra Peixe, ainda no térreo.






A difusão e perpetuação do Frevo acontecem por meio da formação de novos bailarinos e músicos frevistas, nas escolas de dança e de música, sediadas no segundo andar do edifício. O pavimento também conta com um espaço de exposições temporárias. “Territórios do Frevo”, exposição que inaugura o local, fala sobre o bairro de São José, explorando o modo como a história do bairro se confunde com o enredo do carnaval pernambucano.


"Pernambuco tem uma dança que nenhuma terra tem"


Seguindo o percurso desembocamos na área mais colorida e carnavalesca do Paço. No chão, podemos apreciar os estandartes das agremiações e blocos. Ao olhar o estandarte do Bloco da Saudade foi impossível não relembrar a infância, quando eu desfilava no Bloco, em companhia do meu irmão e minha avó – que sabe incontáveis marchinhas de carnaval.





A folia também está exposta em fotos nas paredes. Aliás, a curadora do Paço, Bia Lessa, delineou o Frevo “fora de fevereiro”: a ideia é mostrar que o ritmo vive o ano inteiro, não somente durante os dias do carnaval. Além de fotos, estão expostos comandos para a execução de passos de Frevo e, se o visitante perdeu as oficinas de dança, pode arriscar a interpretação das instruções. No último pavimento, a vivacidade das cores contrasta com grandes janelas decoradas com poesias que exaltam o Recife.  Além de permitirem uma vista encantadora do mar, elas fazem com que o visitante se sinta mais próximo da cidade.


Naná Vasconcelos, maior percussionista do mundo,  fala sobre o nosso Frevo

O andar ainda conta com duas salas – do Passo e da Música – que exibem vídeos de curta duração com detalhes mais técnicos sobre o Frevo. Para falar da música, mestres como Naná Vasconcelos, enquanto o encarregado do passo é Antônio Nóbrega.





Para finalizar a visita com chave de ouro, só mesmo o espetáculo de cores proporcionado pelo pôr do sol, seguido do acendimento das luzes no espaço que está guardando o que a cultura pernambucana tem de mais precioso. 








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