Um museu de grandes novidades






Sexta-feira passada, à tarde, fui surpreendida com a fala de minha filha, adentrando alegre, dizendo: - Maaãeee. Ela dá um beijo, um abraço, e me apresenta aos amigos da turma da universidade que, assim como ela, tinham ido visitar a empresa em que eu trabalho, como aula de campo.

Apesar de saber, antecipadamente, que a visita iria ocorrer, fiquei pensando depois que alguém deixou de me avisar que os ponteiros do relógio passam rapidamente. Porque ninguém, nenhum serzinho, me avisou que a chupeta logo viraria caneta; que as fraldas se tingiriam de azul, de um dia pra noite, e se transformariam em calças jeans. Fala sério! Deixaram de me avisar que as sandálias, aquelas que nunca sujavam sequer os solados e as palmilhas seriam, num passe de mágica, tênis com marca definida, às vezes surrados, mas fashion. Ninguém me mandou um torpedo para dizer que os lacinhos, que prendiam as trancinhas, ficariam no fundo da gaveta, porque a ordem da vez são os cabelos soltos e naturais para compor o look.


Com minha filha,  Amanda Carolina 21.02.2014

E assim me vi grávida. Barrigão. Entrando e saindo de licença do trabalho para não abortar. Dirigindo sabe lá Deus como... Pesada. E agora lá estava minha futura jornalista querendo saber todos os detalhes que pudessem agregar à sua formação, e não mais para desenhar no meu risque-rabisque durante meus plantões. Muito doido, cara, isso chamado... tempo!

Eu me lembrei de uma historinha sobre três reinos que existiam na China. Eles viviam, constantemente, em guerra. Em um desses reinos havia um general chamado Lu Mong que, na época, tinha 31 anos de idade, mas havia começado sua carreira aos 15. Apesar de ser general, Mong tinha nascido de uma família pobre e nunca tinha tido oportunidade de estudar. Como ele era quase analfabeto, sempre que precisava se dirigir ao rei, fazia verbalmente porque não sabia escrever.

Um dia, o rei disse: - Lu Mong, agora que você já comanda uma região militar deve estudar, porque só estudando se amplia a visão do mundo e aprofunda o pensamento.

Sabiamente, Lu Mong seguiu o conselho do rei e estudou tanto, mais tanto, que pouco dormia.

Os anos se passaram até que um dia, o ministro da Guerra foi visitar o general para inspecionar a região, militarmente ocupada, e traçar maiores estratégias para defender o reino. Reunidos, Lu Mong começou a avaliar os pontos fortes e fracos das táticas e traçou as estratégias de defesa. Quando terminou, o ministro ficou admirado e disse:

- Eu pensei que iria encontrar aqui apenas um general valente, mas vejo que encontrei um homem preparado e sábio. Já não és como antes, Lu Mong.

O general Lu Mong riu e respondeu: - Ao fim de três dias sem ser visto, um homem deve ser olhado com outros olhos. Já faz muito tempo que não nos encontramos... como eu poderia ser o mesmo?

É isso aí, tá ligado!?


Com os amigos de turma (Jornalismo/UFPE) da minha filha.


Os ponteiros do relógio trabalham, trabalham, trabalham. Às vezes, eles parecem que correm, correm... aceleram. Mas, tudo não passa de uma sensação imprecisa do tempo.  Tudo acontece de forma natural, o que demoramos a perceber são as mudanças que estão muito próximas de nós.

“Eu vejo o futuro repetir passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para.”

(Cazuza)

Ótimo início de semana.







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Obrigada pela visita.