Justifica e lista andam juntos








Vários professores já me disseram que os estudantes de matemática se dividem em dois tipos – vou chamar o primeiro de Justifica e o segundo de Lista.

Justifica precisa de justificativas para estudar. Ele se pergunta, e também pergunta ao professor, por que raios deve estudar as propriedades operatórias do objeto X. Em que circunstâncias vai usá-las? Com que freqüência? Se não estudá-las agora, mas precisar delas no futuro, pode aprendê-las rapidamente?

Enfim, Justifica precisa compreender bem os motivos pelos quais estudar X, e põe o professor à prova a cada novo capítulo da matemática. Ele gosta de longas explicações sobre a história de X, e só quando se sente justificado ataca uma lista pequena de exercícios, desde que seja interessante. Se desconfiar que certo capítulo lhe será inútil, Justifica não estuda, e muito menos resolve exercícios.

Lista, por sua vez, é o contrário de Justifica. Adora longas listas de exercícios e cumpre a lista mesmo que não saiba para que X serve, se é que serve para alguma coisa. Recentemente, descobri que os dois tipos coabitam em mim.

Quando comecei a estudar cálculo, usei textos que não explicavam bem os motivos pelos quais estudar cálculo – iam direto para as definições, os épsilons e os deltas. Achei difícil. Mais tarde, comprei um livro de introdução ao cálculo, cujo autor prometia não ensinar o cálculo em si, mas mostrar ao leitor por que estudar cálculo é importante, e depois desse livro o cálculo me parece mais fácil. Por conta disso, eu me julgava um Justifica.

Depois, comprei um livro de álgebra linear, cujo autor prometia contar ao estudante a história, explicar os porquês, justificar tudo tim-tim por tim-tim. Fiquei entusiasmado, mas, antes de concluir o segundo capítulo, olhar a capa daquele livro me desanimava. Tive um estalo e mudei de estratégia – comprei um livro do tipo “teoria seca”, organizado assim: definições, teoremas, e um monte de exercícios do tipo “prove a parte (a) do teorema tal”, “prove isso”, “prove aquilo”; tudo muito técnico e sem contexto. Estou adorando.

Eu não sabia que Justifica e Lista coabitavam numa pessoa só, e agora presto maior atenção ao modo como me sinto: se preciso de contexto, dou corda para Justifica; se preciso de férias dos porquês, dou corda para Lista. Talvez a questão toda seja esta: o estudante só aprecia uma discussão mais filosófica sobre certos assuntos depois que domina seus detalhes técnicos, e não antes.

Texto de Márcio Simões
Editor da Revista Cálculo, revista jornalística da Editora Segmento.

O texto é oportuno, no momento em que muitos estudantes retornam às aulas e, alguns têm dificuldades em certas disciplinas, não precisamente em Matemática. O essencial é encontrar o caminho, o método de estudar que melhor facilite sua aprendizagem.





Um comentário:

  1. Alguém pode me dizer pra que serve encontrar o "quadrado da hipotenusa"? Há mais de 30 anos que tenho a fórmula na mente e nunca fiz uso dela. kkkkkkkkkkkkkk

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