Uma aventura na Chapada Diamantina





Um amigo me disse “Não vá. Você não vai gostar, tem muitas trilhas e o sol é intenso.”

Uma amiga, geógrafa, disse “Vá. Você vai gostar. Não precisa fazer as trilhas, tem muitos outros passeios. Você não vai se arrepender.”

Fui, ou melhor, fomos. Lá fomos nós, marido, eu e os dois filhos para a Chapada Diamantina, numa dessas férias, onde planejamos que seria apenas aventura e diversão.

Optamos por viajar de carro pela liberdade imensa que teríamos de mudar, a qualquer momento, de rota ou estendê-la até onde as finanças permitissem e a disposição física também... E fizemos muitas viagens assim com as crianças. 

Então, o primeiro passo foi pegar um mapa rodoviário, marcar dia e hora para sairmos de casa, sem data para chegar ao destino e sem sequer reservar um hotel. Mas, sabíamos, antecipadamente, que não teríamos dificuldades em encontrar, porque as cidades encravadas na Chapada oferecem boas pousadas devido aos seus atrativos turísticos. De Recife para  a cidade de Lençóis, na Bahia, são quase 1.100 Km e por isso, resolvemos parar em Aracaju – SE, cidade que já tinha nos acolhido em outras viagens e que, particularmente, gosto demais. Fica para outro post falar sobre as maravilhas de Aracaju.

Viajar de carro, pelo Nordeste, mesmo com ar condicionado ligado, não ficamos livres do calor,  de uma paisagem árida e sol a pino na maior parte do tempo. Chegamos a Lençóis, cidade considerada a porta de entrada da Chapada Diamantina, no início de uma manhã. Procuramos um hotel que agradasse aos filhos, e neste caso nada melhor que piscinas e salão de jogos. Não lembro o nome do hotel, mas fica numa das ruas principais da cidade. Instalamo-nos.






Imediatamente, fomos andar pela cidade, sentir seu clima, conversar com as pessoas e explorar seus casarios e artesanatos. Para quem gosta de licor, nada melhor do que visitar a Casa dos Licores, no centro da cidade. Mas, um alerta: Cuidado com a degustação! Com mais de 50 sabores de licor, ao preço bem acessível, você pode esquecer até o seu nome.





Levar os filhos a ter contato com a natureza, cachoeiras, grutas, matas, rochas e fauna é uma experiência gratificante. Contratamos uma guia para essa aventura. Uma dica, quando se tem crianças, é evitar participar de grupos ou grandes grupos e, nesse caso, contratamos um guia para ficar, exclusivamente, conosco. Assim foi possível parar, perguntar e explorar todas as paisagens sem pressa.












A Chapada Diamantina tem uma paisagem exuberante, com muitos riachos e cachoeiras, algumas livres para banhos e tirolesa.






A sensação de liberdade de Raphael Felipe e Amanda Carolina, longe dos grandes centros urbanos, não tem preço... Em Riachinho, na Vila do Capão.




Meus peixinhos nadando nas águas do Rio Mucugezinho.




Eles escorregando num tobogã natural, formado por rochas, no entorno do Rio Ribeirão que faz parte de uma das trilhas, em Ribeirão do Meio. 



Foi na Chapada Diamantina que meu filho, um dia à noite e de tão cansado das trilhas, disse algo inesquecível: “Mainha, cadê as igrejas, os museus e o guia falando sem parar? As férias estão um pipoco, mas eu tô tão cansado que nem consigo levantar as pernas.”

Rimos muito. Principalmente, porque ele estava tão cansado que se referiu aos sítios históricos de outras cidades que já visitamos, e ele achava um tédio quando o guia passava muitas informações, sem quase tomar fôlego, sem dar pausa :)





Passamos uma semana na Chapada Diamantina e deixar de visitar uma gruta é o mesmo que ir ao Maranhão e não comer arroz de cuxá. E lá fomos nós visitar as grutas, entre elas a Gruta Lapa Doce. Quem me conhece sabe que não gosto de escuridão “Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora, o que foi escondido é o que se escondeu, e o que foi prometido, ninguém prometeu” – Renato Russo.

Pois bem, nessa gruta o guia desceu apenas conosco e munido apenas de uma lanterna. Quando ele parava de explicar as formações calcárias de estalactites e estalagmites, e apagava a lanterna, sequer ouvíamos a nossa respiração. Era um silêncio que fez em mim um barulho enorme porque saí de lá com uma enxaqueca tão intensa que podia chamar todos os animais de irmãos, desde que me dessem uma dipirona. Inesquecível! Mas para os filhos foi uma festa. Minhas fotos com enxaqueca são impublicáveis J.




Amanda Carolina saindo de uma das grutas.




Dando continuidade as nossas trilhas, e diga-se de passagem que alguns dias eu fiquei no hotel deixando a aventura apenas para o marido e os filhos, fomos ao Morro do Pai Inácio, com 1.120 m de altitude. Chegar ao Morro nos faz pequenos diante da grandiosidade da criação de Deus, de um espetáculo rico da natureza. Impossível não se emocionar.




E Raphael Felipe, como todo turista, quis mudar o Morro de lugar.






Como ele não conseguiu, guardamos na memória.








Muitos outros lugares nós visitamos como mais cachoeiras, poços e rios. De nossa aventura, que nesta viagem não parou por aí, ficou a certeza que é maravilhoso explorar o nosso país na companhia dos filhos, principalmente, quando eles ainda são crianças ou estão na primeira adolescência, deixando as viagens como a Disney, por exemplo, para quando eles estão maiores. Foi isso que fizemos e eles aproveitaram muito mais, posteriormente, e puderam valorizar sua nacionalidade.






Um comentário:

  1. Para quem gostar de curtir a natureza, é um ótimo roteiro turístico. Mas, não esqueçam o creme repelente.

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Obrigada pela visita.