Andar com o outro ou como o outro?









Havia uma cidade, situada no centro da província de He Bei, na China, onde o povo era conhecido pela sua forma de caminhar, porque todos os homens, mulheres, velhos e crianças andavam com passos ligeiros, mas com muita elegância.

Certa vez, um rapaz do reino de Yan, que detestava o andar de seu povo porque eles se balançavam demais para dar as passadas, decidiu ir ao reino de Han Dan a fim de aprender a andar como o povo de lá.

O rapaz atravessou rios e florestas, subiu e desceu montanhas até que um dia chegou a Han Dan. 

Imediatamente, ele se encantou com a graciosidade do andar dos seus habitantes: eles levantavam um pé para dar um passo, estendiam, então, a mão para dar outro passo e assim sucessivamente, demonstrando em cada gesto uma civilidade.  

Admirado, o rapaz começou a aprendizagem. No entanto, ninguém imaginava que um gesto aparentemente tão simples se revelasse, na prática, tão difícil. Quanto mais o rapaz se esforçava, mas constrangida ficava sua aprendizagem até ele se sentir ridículo. Ele, então, pensou que devia ser por causa do velho hábito que o impedia de aprender.  Era necessário, portanto, que ele esquecesse sua antiga maneira de andar e iniciasse tudo novamente.

O rapaz, muito esforçado estabeleceu um método de aprendizagem:

Calculou a distância de cada passo que as pessoas davam em Han Dan, a altura que erguiam os braços e balançavam, depois andavam. Passou tantos anos tentando aperfeiçoar seu andar que, esqueceu a maneira antiga que andava e não tinha conseguido também andar com o povo de Han Dan. O rapaz resolveu, então, voltar ao seu reino, mas não percebeu que, depois de tantos anos ele sequer conseguia caminhar com os dois membros.

A lenda chinesa retrata bem que comprar o pincel igual ao do pintor que fez nascer uma magnífica paisagem sobre a tela; a máquina de costura igual ao da costureira que produz belíssimos vestidos; a escova da mesma marca que o cabeleireiro desliza sob os fios de cabelos dos seus clientes tornando-os cada vez mais belos; usar a mesma ferramenta do marceneiro que fabricou móveis criativos, não nos tornará exímios pintores, costureiros, cabeleireiros, marceneiros ou coisa alguma.

Porque cada pessoa tem seu talento, habilidade, forma de andar, de falar, escutar, vestir e se comporta que nos torna singulares. E neste imenso universo, cada pessoa tem, também, uma forma bastante peculiar de perceber, interagir e responder aos mais variados estímulos, situações e problemas. Que tal pensarmos nisso? 

Bom início de semana.





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita.