Alimentar-se da serpente



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Certa vez, um chinês de nome Yue Guang convidou um amigo bem íntimo para um jantar em sua casa. Feliz, o anfitrião escolheu um delicioso vinho para comemorar a visita. No entanto, contrastando com sua felicidade, seu amigo quase não falava sequer bebia, demonstrando uma inquietação enorme o que o fez se levantar antes do jantar acabar e ir embora.

Chegando em casa, o amigo de Yue Guang ficou doente. Os melhores médicos foram chamados, mas todos não conseguiam que seu estado de saúde melhorasse.

Sabendo da notícia, Yue Guang, imediatamente foi visitar o seu amigo. Entre uma frase e outra, onde procurou dar palavras de encorajamento e esperança, Yue tentou a todo custo procurar saber qual o verdadeiro motivo da doença.

Depois de pensar muito, o doente, quase gaguejando, disse:

- No... no seu jantar você me ofereceu... eu não vi uma pequena serpente nadando na minha taça de vinho. Foi a partir deste momento, que eu comecei a sentir uma tontura e fui piorando, piorando. Voltei para casa e fiquei acamado.

O chinês Yue pensou, pensou e disse:

- Não há médico que irá curar a sua doença, meu amigo. Mas, sou eu quem vai ajudar-lhe. Para isso, você terá que jantar comigo, novamente em minha casa.

O doente relutou, mas depois de ver o entusiasmo do amigo, aceitou o convite e lá se foram os dois para casa de Yue, na mesma noite, jantar.
Os dois amigos sentaram-se nos mesmos lugares que tinham ocupado no primeiro jantar. A mesa foi posta da forma anterior: pratos, taças e talheres na mesma disposição. E um vinho foi servido. Sorrindo, mas observando o semblante do amigo, o chinês Yue perguntou:

- E agora, você está vendo uma serpente na sua taça?

O amigo-doente, muito assustado e olhando para a taça respondeu:

- Sim, sim, existe uma serpente nadando na minha taça.

Yue Guang levantou-se da mesa e, tranquilamente, retirou o arco que estava pendurado na parede, e voltou a perguntar sorrindo:

- E agora?

- Desapareceu, disse o doente.

Simplesmente, a serpente, nada mais era do que o reflexo do arco. Visto a verdade, todo o medo, a desconfiança se dissiparam e a doença do amigo desapareceu.

Essa lenda chinesa demonstra o quanto somos influenciados pelo pensamento. Se comparada a uma usina de cana-de-açúcar, por exemplo, a nossa mente não apenas fabrica um bom produto, mas também elimina o bagaço.

Existem duas formas de cuidarmos desse bagaço: reaproveitá-lo, transformando em algo positivo e que exige esforço; ou condená-lo ao eterno lixo, caminho sempre mais fácil. O lixo é sempre prejudicial ao meio ambiente e por isso, quando cultivamos o nosso lixo mental adoecemos o corpo e atingimos, também, as pessoas que estão ao nosso lado. Algumas vezes, temos opiniões equivocadas sobre pessoas e fatos que nos fazem romper amizades, relacionamentos ou tomar atitudes intempestivas. Quando chega o arrependimento, torna-se tardio. 

Portanto, reciclar nossos pensamentos é uma escolha. Hoje, poderemos falhar na tentativa de sermos melhores que ontem, mas se continuarmos persistindo, um dia poderemos alcançar um estágio de harmonia interna capaz de induzir ao nosso total bem-estar.

Excelente início de semana.





Um comentário:

Obrigada pela visita.