Você sobrevive





Logo pela manhã, é possível que você já acorde sabendo que terá um dia daqueles que gostaria de riscar do calendário. Você começa a se sentir esquisito, cabeça pesada, suor descontrolado, certo enjoo quando pensa em comida, uma vontade enorme de continuar na cama, visão turva, dores nos ombros e nos olhos, uma sensação de tremor, sensibilidade no couro cabeludo e diarreia.  Somando a tudo isso, você tem vontade de se esconder do mundo, de fugir da luz como se fosse um vampiro, de caminhar devagar, ou melhor, levitar para que cada passada não abale a sua cabeça que já estará girando, numa tontura sem fim.  Você já deve imaginar sobre o que estou falando. Se você já sentiu tudo isso sabe o quanto é terrível ter uma crise de enxaqueca. Putz! Só quem tem sabe como é. Não seria melhor desmaiar, quando começassem os primeiros sintomas? Penso que sim. Apagar, temporariamente, seria o ideal.

Mas esse mal-estar, que atinge mais mulheres do que homens, lhe confere uma moleza, às vezes nos primeiros raios de sol e se estende até a noite, abatendo o seu corpo, aniquilando todos os seus planos para o dia ou dias.

Silêncio!
Apaguem as luzes!
Fechem as cortinas!
Não falem!
Não respirem!
Deixem-me em paz até que esse trator acabe de passar esfacelando a minha cabeça. Mas, antes deixem a dipirona por perto.

Não dá vontade de dizer isso?

Sempre achei que, na eminência de uma crise, a solução seria o desmaio. Depois, acordaríamos de bem com a vida, querendo a luz do sol e a cor do arco-íris. Mas, nem sempre é isso que acontece e quem sofre de enxaqueca tem que amargar os muitos sintomas da crise, que varia de uma pessoa para outra.

Lembro-me bem de uma festa infantil, dessas que você vai para cumprir tabela e nem os filhos leva. Eu já saí de casa driblando os primeiros sintomas da enxaqueca. Cheguei à festa e fiquei quietinha no meu lugar, apenas cumprimentando os conhecidos. Um pouco mais cedo do que previsto fui me retirando. Mas, ao cumprimentar a mãe do aniversariante, muito gentil, ela disse que eu não sairia de lá sem comer um pedaço de bolo que a própria família tinha feito. Confesso que usei de todas as desculpas possíveis, mas nenhuma convenceu para que não trouxessem o bolo. E mesmo sabendo que ali estava a bomba atômica, comi obviamente, agradecendo a gentileza. Mas, não consegui chegar em casa no tempo normal porque durante todo o percurso, meu marido teve que parar o carro várias vezes para que eu pudesse vomitar. "Antes que aconteça do mundo acabar, vou aprender alguma coisa, nunca é tarde pra quem já entende que a vida começa sempre depois de uma boa noite de sono, onde tudo parece se reconstruir" (Biquíni Cavadão). Sobrevivi.

Fica uma dica: corra léguas de distância dos doces, quando você estiver na iminência de uma enxaqueca. Eles vão detonar você, assim como outros fatores como uma noite mal dormida, alimentos gordurosos, ansiedade, mudanças no hábito alimentar, proximidade da menstruação, sol demasiado, estresse e tudo mais que possa alterar seu ritmo biológico. É uma das respostas do organismo para algum tipo de agressão e não tem cura. Por isso, é importante acompanhar as descobertas da ciência e as recomendações médicas que, até agora, indicam apenas como conviver com esse mal. E uma delas é evitar alguns alimentos que contribuem para o seu aparecimento:

- Chocolate (esse eu tenho certeza que você já sabia. Mas, divido com você a insatisfação de saber que esse néctar dos deuses deve ser evitado);
- frutas cítricas;
- queijos amarelos envelhecidos como provolone;
- alimentos embutidos como salsichas e linguiças;
- enlatados;
- frituras e gorduras;
- café;
- chás;
- coca-cola;
- aspartame;
- bebidas alcoólicas fermentadas como vinho, cerveja, chope e champanhe.


Mas o importante, segundo os especialistas, é anotarmos tudo que acreditamos levar a uma crise. Só assim, poderemos minimizar seus efeitos ou retardar a dor.


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