A renovação








Arrumação sempre nos reserva surpresas. E numa dessas que a gente repensa porque guarda tanta quinquilharia, alguns para nunca serem usadas e outras que serão uteis esporadicamente, encontrei um recorte de jornal, datada de 20 de novembro de 1983, do Diário de Pernambuco, Suplemento Feminino. Nele, tinha uma historinha, que eu tinha enviado como contribuição, ainda adolescente. Sempre gostei de ler e, como naquela época, não havia internet e conteúdo livre, as informações chegavam pelos jornais, rádios e TVs. Jornal impresso, então, era caríssimo e lá em casa só chegava aos domingos. E nesse dia, vinha o Suplemento Feminino. Amava! Eu datilografava minhas colaborações, enviava pelos correios e acompanhava a publicação. Nunca me preocupei muito em guardá-las, como fazia a minha irmã com minhas contribuições, como essa que ela me deu e coloco no blog hoje.

De forma resumida a lenda, cuja autoria desconheço, fala o seguinte:

Dizem que o Supremo Senhor, após situar na Terra os primeiros homens, dividindo-os em raças diversas, esperou anos que eles aderissem ao bem. Criando todos para a liberdade, aguardou, pacientemente, que cada um construísse o seu próprio mundo de sabedoria e felicidade.

Contudo, ao invés de gratidão e louvou começou a ouvir, do planeta terra, a voz do desespero acompanhado de lágrimas, blasfêmias e imprecações, até um dia em que um deles se destacou dos demais e, amparados por anjos, foi até Deus suplicando providências:

- Pai, tem misericórdia de nós!... Repartimos a Terra, mas não nos entendemos. Reprovamos o egoísmo, entretanto, a ambição nos enlouquece e sempre pretendemos possuir mais e mais. Oh! Senhor!... Auxilia-nos!... Deste-nos autonomia e um código de conduta, mas caímos a cada passo. Inventamos guerras, ferimo-nos e ensanguentamo-nos como se fossemos feras no campo de batalha. Enganamo-nos, reciprocamente, e somos vítimas das paixões e vícios. Entregamo-nos, muitas vezes, a enfermidade e a morte. Socorre-nos por piedade! Dai-nos a paz e ajuda-nos a libertar de todo o mal.

Conta que o Todo Misericordioso contemplou os habitantes da Terra, com imensa tristeza, e exclamou, amorosamente:

- Ah!... Meus filhos!... Meus filhos!... Apesar de tudo eu vos criei livres e livres sereis para eternidade, porque em nenhum lugar do Universo aprovarei a escravidão, sequer de pensamento.

- Oh! Senhor! – soluçou o homem – Compadece-te de nós e renova-nos o futuro porque queremos acertar e sermos bons.

O Todo Poderoso pensou, pensou... e depois de alguns minutos falou comovido:

- Não posso modificar as Leis Eternas. Dei-lhes a Terra e o livre arbítrio para formar o alicerce da ascensão aos planos superiores. A independência para pensar e agir lhes dará o que quiseres. Mas, vou conceder um tesouro de vida que representará sempre a renovação. Esse tesouro lembrará a fraternidade, a necessidade de edificar-se o bem comum e elevar o direito. Será um tesouro vivo que estará sempre ao vosso lado a fim de que possas querer aperfeiçoar o mundo e santificar o futuro.

Dito isso, o Senhor Supremo entrou nos tabernáculos eternos e voltou de lá trazendo um ser pequenino nos braços paternos. Nesse sublime momento, os homens da Terra receberam das mãos de Deus a primeira criança.




Com essa lenda, o Tudo na nécessaire, deseja-lhe uma boa semana. E nesse momento em que o país assistiu nos noticiários mais uma cena de violência, fazendo vítima uma criança colombiana que estava nos braços da mãe e sendo, brutalmente, assassinada porque estava  apenas com medo e chorando, que possamos não perder a esperança em mundo melhor, mais justo e mais simples como uma criança. À mãe colombiana, que o Senhor Supremo possa confortá-la na sua imensa dor.





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita.