No meu caminho tinha um ponto



No meu caminho tinha um ponto
Tinha um ponto no meio do caminho
Tinha um ponto
No meio do caminho tinha um ponto.


Substituir a palavra “pedra” por ponto, no poema “Tinha uma pedra no meu caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, deveria ser a frase dita por muitos estudantes e pesquisadores que tropeçam no ponto e caem de frente com a banca examinadora, quando vão apresentar seus trabalhos de conclusão de curso – o famoso TCC, ou monografias, dissertações e até mesmo as teses de doutorado. 

É ponto e mais uma meia dúzia de detalhes que retiram aqueles décimos que influenciam na nota final. Porque a dificuldade é quase a mesma para a maioria dos estudantes e pesquisadores: normatizar o trabalho de acordo com a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

E hoje vamos falar sobre a numeração progressiva de todos os trabalhos escritos. 

Todos? Isso mesmo, todos! 

Mas a regra é bem simples e você vai memorizar rapidinho, porque a Dona ABNT determina a punhos de ferro: 

Todos os trabalhos escritos, incluindo livros e artigos de periódicos devem obedecer à NBR 6024 - que ensina como numerar as partes de um trabalho, ordenando-o dentro de uma sequência lógica e hierárquica. 

Mas, se você for bom na língua portuguesa e deseja publicar um dicionário, esqueça essa norma, porque é a única exceção.

http://profkathiabazoni.blogspot.com.br/2013/02/algarismos-romanos-atividades.html


Você teve dificuldade de aprender algarismos romanos na escola? 

Então, alegre-se. Chegou a hora de esquecê-los para sempre, ao menos, no seu trabalho. Porque a Imperatriz ABNT ordena: 

Utilize algarismos arábicos, ou seja, 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9.


Agora, veja os exemplos e encontre os erros.









Conseguiu encontrar os erros? Não?  Então, vamos apontá-los.

Primeiro erro:  Não seja o centro das atenções.

Portanto, não centralize o título nas seções do trabalho.  

A NBR 14724 é taxativa: Títulos devem ser alinhados à esquerda da página ímpar, exceto na capa e folha de rosto.

Segundo erro: Você adora enfeitar?

Esqueça esse jeitinho, ao menos, no trabalho.  Porque a Dona ABNT é simples e não aceita sinais de pontuação, exceto para separar títulos e subtítulos, com os dois pontos. 

A NBR 6024 dita: O número da seção deve ser separado do título, apenas por um espaço.

E qual o tamanho desse espaço? Apenas o espaço relativo a um caractere.

Esqueça também (e para sempre) do sinal de pontuação logo após o título do trabalho.

O correto do exemplo citado é:



Lembre-se que você pode subdividir o trabalho em até 5 seções. 

Também mais do que esta quantidade, entregue um mapa da mina à banca examinadora. 

Anote o exemplo: 10.1.1.1.1

Não é fácil numerar o trabalho? Mais fácil ainda é saber que você não vai precisar numerar:


Errata
Agradecimentos
Lista de ilustrações
Lista de abreviaturas e siglas
Lista de símbolos
Resumos
Sumário
Referências
Glossário
Apêndice(s)
Anexo(s)
Índice(s)


Coitadinhos!

Já que Madrasta ABNT não deixa numerar essas seções, chegou a hora de você matar a vontade e centralizá-las. Isso mesmo! E não tenha medo de errar porque a Dona ABNT só permite para essas partes do trabalho. 

Porque a folha de aprovação, dedicatória e epígrafes, você já não iria numerar mesmo, não é verdade? Nelas, a numeração fica proibida, tá?

Agora vou contar um segredinho de arrepiar:

Dona ABNT não perdoa preguiça ou falta de tempo. Ui!

Portanto, ela não esqueceu de dizer, na NBR 6024: você precisará escrever, escrever, escrever... em todas as seções (todas, tá ligado?) textos abaixo dos títulos, nem que sejam dois parágrafos.

Então memorize um exemplo:

1 BREVE HISTÓRICO

Texto, texto, texto, texto para encher linguiça

1.1 Situação social


Texto, texto, texto, texto para encher linguiça


Boa sorte!




Você também poderá consultar:







Um comentário:

  1. É amiga, para muitos estudantes, eu diria que não são "pedras" e nem "pontos" e sim "grandes buracos" no meio do caminho. Porque, infelizmente, a probrezinha da lingua portuguesa ainda é muito "mau" ou "mal" tratada em nossas escolas, faculdades e universidades. Não achas?!
    Bjs, Sandra

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