Imagens da semana



“Ai São João, São João do Carneirinho
Você é tão bonzinho
Fale com São José, fale lá com São José
Peça Pra ele me ajudar
Peça pra meu milho dá
20 espiga em cada pé.”
                                                                    (São João do carneirinho – Luiz Gonzaga)
































Se uma imagem vale mais do que mil palavras, essas que você acabou de ver calam todos nós, sobretudo nesta semana. Porque além de estarmos envolvidos com os balões e bandeirolas, estaremos também com a nossa boca ocupada com tanta comida gostosa feita de milho, massa de mandioca, farinha de tapioca e castanhas de caju.

As ruas, as casas, o comércio já estão enfeitados. A lenha já está à venda para fazermos a tradicional fogueira. É bem certo que essa tradição a cada dia vem perdendo espaço devido à nossa consciência de preservarmos as árvores, e cuidarmos do meio ambiente. Mas, no interior dos estados do Nordeste, ainda existem madeiras (poucas) para a ocasião. 

E cá entre nós, uma noite de São João sem fogueira, é como a Seleção Brasileira sem Neymar. Milho gostoso só assado na fogueira ou em fogareiro feito de lata de tinta e munido com carvão, como este que você viu na foto e que estão espalhados na BR-232, a caminho da cidade de Caruaru – a capital do forró.

"Quem nunca foi já ouviu falar
Se você for vai gostar
Quem já foi volta sempre lá
Pra dançar forró no arraiá
Trinta dias antes do São João
As ruas já estão enfeitadas
Já tem milho verde na feira
A terra de brejo molhada
[...]"
                                                 (Música "Capital do forró")

Segundo um vendedor de milho, só nesta época, ele consegue vender mais de 150 espigas para aqueles que estão trafegando pela rodovia. Ou seja, essas barraquinhas improvisadas e permanentes viram parada obrigatória para passageiros e motoristas, incluindo meu marido que já deixa as moedas separadas para a comprar o milho.  

É nesta época também que outro ritmo não tem espaço. É só forró, xote e baião. E a cada música que escutamos, mesmo sentados dentro do carro, pensamos nos pés se arrastando ao som de uma sanfona. Maravilha! Esse é o gostinho do São João, sobretudo, no Nordeste.



“O meu cabelo já começa prateando
Mas a sanfona ainda não desafinou
A minha voz vocês reparem eu cantando
Que é a mesma voz de quando meu reinado começou
Modéstia à parte é que eu não desafino
Desde o tempo de menino
Em Exu no meu sertão
Cantava solto que nem cigarra vadia
E é por isso que hoje em dia
Ainda sou o rei do baião
Eu agradeço ao povo brasileiro
Norte Centro Sul inteiro
Onde reinou o baião
Se eu mereci minha coroa de rei
Esta sempre eu honrei
Foi a minha obrigação
Minha sanfona minha voz o meu baião
Este meu chapéu de couro e também o meu gibão
[...]”
                                                                         (Hora do adeus, de Luiz Gonzaga)





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