Do sublime ao humano: Ruim com Mary, pior sem Mary



Já está chegando a hora de ir
Venho aqui me despedir e dizer
Em qualquer lugar por onde eu andar
Vou lembrar de você
Só me resta agora dizer adeus
E depois o meu caminho seguir
O meu coração aqui vou deixar
Não ligue se acaso eu chorar
Mas agora adeus
[...]
(Despedida, de Roberto Carlos)

Despedida dói. E se for todo o dia, dói mais ainda. Não estamos falando da despedida tipo nunca mais e para sempre, mas o até breve ou até daqui a algumas horas. E é mais ou menos isso que acontece com as mães que precisam retornar ao trabalho, depois de alguns meses de licença-maternidade. Acostumei cada filho, ainda bebê, a me ver entrando no carro e saindo para o trabalho. Nada escondido. Aos poucos, eles foram se acostumando. Mas, a cada tchau diário, um aperto no coração e uma vontade de ficar juntinho porque “eu gosto de você, e gosto de ficar com você. Meu riso é tão feliz contigo, o meu melhor amigo é o meu amor” – (Tribalista).


Mas, é preciso voltar ao batente e conciliar. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 2009, Editora Objetiva, conciliar é conseguir acordo entre pessoas ou entrar em acordo com outrem, é ficar em paz, tranquilizar-se, harmonizar-se. Dá para concluir,  sabendo deste conceito, que independende da profissão que exerçamos, é muito dificil conciliar os vários papéis sociais que a mulher tem, mas também isso não quer dizer que não consigamos. Na verdade, esse enfrentamento diário, faz parte de uma realidade social onde uma nova estrutura familiar, foi imposta pelas mulheres que escolheram ter autonomia financeira, ser profissionais, competitivas e produtivas. Mas, ficar tranquila passa um pouco longe de nós, que temos de deixar os nossos filhos na mão de terceiros, principalmente, das babás. E um dos desafios é encontrar alguém que retribua a nossa confiança e trate nosso filho como se fosse também seu. Se você encontrar essa pessoa, como eu encontrei, trate-a a bolo de chocolate e brigadeiro porque à pão-de-ló é pouco.
Nas muitas confidencias entre amigas, com as dificuldades quase comuns para obedecer ao sentido de conciliar, certa vez uma delas me contou que tinha conseguido contratar uma babá. Logo na apresentação, a babá disse: "comece a me chamar de Mary. Eu não gosto do meu nome Maria. Se me chamar de Maria, eu não atendo." Em seguida, fez outras exigências que foram aceitas. 

Com o tempo, Mary tomou espaço e foi administrando quase tudo na casa. E quem tem ou teve empregado doméstico sabe o quanto isso acontece.  Mas, a minha amiga também me confidenciou: "Tem dias em que eu fico tão irritada com Mary que tenho vontade de dispensá-la. Mas, sempre repenso a ideia depois de um final de semana, onde R.(marido) não perde um futebol. E quando Mary chega na segunda-feira, eu fico aliviada porque, finalmente, terei com quem dividir as tarefas". Minha amiga além de advogar, fazia sua pós-graduação.

http://mulhersementevermelha.blogspot.com.br/2011/01/mulher-e-o-mundo-do-trabalho.html

Alguém, do outro lado da telinha, entende essa situação? Com certeza, sim. Porque se outro desafio que uma mãe trabalhadora (não desmerecendo quem optou por ficar em casa)  precisa vencer é o cansaço... sempre. Mas nada, nada mesmo tira a alegria, o êxtase de nossa chegada em casa, do nosso reencontro e de poder pegar no colo, novamente, os nossos filhos, apertá-los e dizer-lhes baixinho “Nunca se esqueça, nem um segundo, que eu tenho o amor maior do mundo. Como é grande o meu amor por você. (Roberto Carlos)



 “Nossa! Para mulher que trabalha ser mãe é uma luta sempre. Tirei quatro meses de licença-maternidade e mais um mês de férias. Quando voltei ao trabalho, tive que levar minha filha para a comarca que eu trabalhava isso há 100 quilometros de minha casa. Expunha minha filha aos perigos da estrada e só depois de 8 meses que consegui transferência para a capital, e pude descansar um pouco. Mas, agora que estou fazendo o mestrado, não pude ir à festa em homenagem ao Dia das Mães, no colégio, que foi na última terça-feira. Minha filha, então, ligou pra mim e começou a cantar a música que tinha ensaiado em minha homenagem. Chorei.”
L.C.C. - Juíza de Direito

Quando voltei ao trabalho, depois de 5 meses de licença, chorei três dias consecutivos. Foi uma sensação de perda e de insegurança por pensar que seu filho está desprotegido e sozinho nesse mundo ingrato. Com o tempo, fui me acostumando, mas é muito difícil mesmo sabendo que ele fica no bercário onde a diretora faz parte ainda da minha família. Acompanho, diariamente, as anotações que vêm na agendinha dele como a hora da refeição, se dormiu bem e até o horário de suas necessidades fisiológicas como coco e xixi e como ocorreu. Com o tempo também a gente aprende que o filho sobrevive sem a mãe. Mas, meu marido, em relação ao bercário, é mais presente do que eu, porque ele leva e trás todos os dias e acompanha as reações do meu filho.”
S.C.H. - Assistente financeira





Ontem também foi a festa em homenagem ao Dia das Mães, no colégio. Meu marido levou minha filha. Teve uma hora em que a mãe tinha que dançar com o filho e meu marido disse: pense que é sua mãe que está aqui. Fiquei arrasada. Acho que no futuro as escolas deveriam criar o Dia da Família porque é muito difícil para as mães que trabalham cumprir a agenda de festa do colégio. Eu não poderia remarcar as audiências.”
R. N. - Juíza de Direito

Quando engravidei estava desempregada. Quando meu filho tinha 8 meses fui trabalhar e ele ficou com a babá que já tinha sido minha também. Mesmo assim, fiquei insegura e, como operadora de telemarketing, conseguia monitorá-lo por telefone. Hoje, Miguel já está com 5 anos e ainda continuo na mesma batalha emocional. Eu devia ter casado com um marido rico rsrsr e acho que isso é o que toda mulher sonha. Só assim eu poderia ter ficado em casa para assisti-lo nos esportes, na escola, nos passeios e no seu desenvolvimento até uma certa idade.”
C.M – auxiliar administrativa

“Para mim foi muito difícil voltar ao trabalho. Na época, não tinha minha mãe nenhum outro familiar morando próximo de minha casa. Tive que deixar minha filha com a empregada doméstica. Chorei muito nos primeiros dias que saia  para trabalhar, mas a confiança e a convivência com a empregada vieram com o tempo, tranquilizando-me. Meu marido sempre foi e é um pai muito presente, me ajuda muito em tudo, desde a casa até a educação das meninas. É um verdadeiro  pai, companheiro e cúmplice em tudo. Mas, acredito que a mulher que trabalha fora conquistou sua independência a muito custo e, graças a nossa eficiência sabemos, realmente, separar as nossas qualificações como filha, mãe, esposa, amante e profissional."
M.S. – Assistente Administrativa

Imagens capturadas na internet


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