Do sublime ao humano: A hora do peito




“Só eu sei
As esquinas por que passei
Só eu sei só eu sei
Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar
[...]
(Música Esquinas – Djavan)



Hoje, o Tudo na nécessaire, começa uma série de postagens sobre nós mulheres, mães, guerreiras, leoas,  sublimes e humanas –  esta última condição que, algumas vezes, nos esquecemos. Somos humanas, sim. Temos as nossas imperfeições, necessidades,  fragilidades, cansaços e desejos. Porém, pela nossa própria natureza feminina, fomos  acostumadas como mãe a renunciar, facilmente, em favor de nossas crias e da prole. Mas, não deixamos de sentir, sofrer, desistir, chorar e levantar porque coragem é o que não nos falta.

Fui mãe aos 27 e 31 anos de idade e não amamentei. Mas, juro que tentei após cada parto difícil e que representou um risco de vida para mim. Parece ilógico, para a maioria das pessoas que nos cercam a citar médicos, amigos e familiares, a simples ideia que não conseguimos amamentar. Afinal, amamentar deveria ser um ato tão natural e fácil quanto ao de parir, já que somos mamíferos. Contudo, amamentar não é fácil, nem indolor, tampouco está dissociado de vários fatores como o psicológico, emocional e físico.  E assim como uma boa gravidez, amamentar depende de um somatório de condições favoráveis, sendo a continuidade do mesmo processo, e representando apenas uma etapa de tantas outras que teremos pela frente como mãe.

Mas, nem todas as mulheres conseguem amamentar. É bem verdade que representamos apenas uma minoria, assim como a maioria das mulheres não consegue dar à luz sem ajuda de um bisturi, ou seja, de uma cesariana. Mas, nem por isso somos menos mães. Isso mesmo! Porque, não deve restar dúvidas para alguém que um dos desejos que temos como mãe é o de proteger os filhos de todas as doenças, de sermos capazes de oferecer uma imunidade suficiente para assegurar-lhes a saúde, se possível, para o resto de suas vidas.  E todas nós sabemos, porque já foi cientificamente comprovado, que o aleitamento materno oferece vantagens nutricionais imensas, fortalece a saúde da criança ajudando-a na prevenção das alergias, doenças intestinais e até obesidade. Além de muitos outros benefícios, é um dos fatores que coopera para que o útero volte, rapidamente, ao seu tamanho normal. Mas, todas nós sabemos também ou devemos saber que, se não conseguirmos amamentar após várias tentativas,  o amor aos  nossos filhos não será menor. Se amamentar é um ato de amor, criá-los e educá-los é a confirmação desse sentimento imensurável e incondicional que se inicia antes da gestação. E não estamos sós...

Quando eu tive meu primeiro filho, estava passando por uma crise no relacionamento com meu marido. Psicologicamente, eu estava mal e não consegui amamentar. Mas, não tive apoio da família, pelo contrário, por muito tempo eu senti vergonha por não ter amamentado devido às cobranças. Eu tentava dizer para mim mesma que o momento que eu estava passando era maravilhoso, mas não consegui amamentar. Hoje,  entendo que eu precisava de apoio do marido e da família. Mas, quem sabe, eu consiga com outro filho.”
V.M. – 33 anos

Queria muito amamentar. Acho que é o sonho de todas as mulheres, mas não consegui. Meu filho não pegava o peito. Fiz de tudo, até passar mel nos mamilos, mas ele rejeitou. Ele terminou sendo amamentado por leite artificial.”
S. C. – 28 anos

Não queria engravidar. Estava passando por um momento difícil financeiramente. Quando pari, ao invés de melhorar, fiquei deprimida. Chorava dia e noite e a criança parecia mais uma intrusa na minha vida. Não conseguia amamentar e isso só piorava a situação até decidir, realmente, que não tinha condições emocionais para isso. Só aliviei quando a criança foi saciada com leite artificial. Estava exausta. Mas, passei muito tempo para aprender a me defender das acusações de outras mulheres, incluindo as da minha família, que pensam que somos mães desnaturadas, sem coração. Não amo menos meus filhos do que elas amam os delas.”
M.C.B – 38 anos.

Engravidei do meu primeiro filho aos 29 anos e não tive leite suficiente. Meu filho chorava dia e noite. Tomei até tintura de algodoeiro prescrita pela pediatra, mas foi em vão. Não consegui amamentar e fiquei tão estressada que tive uma violenta queda de cabelo.”
A.N. – 41 anos

Gente, ser mãe é punk e fui aos 30 anos. Como jornalista, tive todas as informações possíveis sobre a maternidade e tudo que a envolve, incluindo a amamentação. Passei um ano fazendo yoga e me preparando para a hora do parto e pensei que tudo seria fácil. Mas, meu parto foi horrível, a dor é incrível e, confesso, que não me lembrei dos exercícios praticados na yoga. Sofri doze horas com dores até parir. Amamentar dói e muito, sangra e fere até chorarmos. Mas, no final, consegui ao menos amamentar depois de várias tentativas. Sei que muitas mulheres não conseguem e entendo.
H. M. – não disse a idade. 

"Tive um parto dificilímo. Em casa, não conseguia sequer me levantar sozinha da cama. Passei quinze dias dependendo de todos que estavam ao meu redor. Meus seios estavam cheios de leite, mas não formaram mamilos suficientes para a amamentação. Minha filha chorava muito e não dormia. Com poucos dias, fui ficando esgotada devido às dores do pós-operatório e decidi dar o leite artificial. Não estou arrependida, foi uma decisão do momento que me ajudou muito e ela é saudável."
S.D. - 57 anos
(imagem capturada na internet)



 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita.