As caixinhas do amor





Geralmente quando se tem um problema, busca-se um amigo. E quando se tem uma doença que maltrata o físico, a mente, o espírito e, na maioria das vezes, deixa sequelas para sempre, onde buscar o auxílio? Na família, nos amigos, nos médicos, no corpo de enfermagem e... na terapia ocupacional. É na terapia onde muitos pacientes que tem câncer conseguem controlar a ansiedade, o medo, a angústia e a solidão de um tratamento. Já dizem os médicos que o câncer é uma doença democrática porque atinge a todos, sem exceção de idade, opção sexual, cor, religião, condição social e qualquer outro separador de seres humanos. É, exatamente, na doença que nos tornamos mais humano e unidos.

Conheci as caixinhas feitas com material reciclado na Fenahall, uma feira de artesanato que acontece todos os anos, em Recife, durante uma semana, no mês de janeiro. Havia apenas duas, sendo uma adquirida por mim. Elas estavam num cantinho de um stand, sem chamar muito atenção e tinham sido expostas apenas para colaborar com quem tem como objetivo diário o compromisso de ajudar outras pessoas. Estou falando de Geovane Quirino, 38 anos, ex-paciente do Hospital Oswaldo Cruz e que aos 13 teve o primeiro contato com a doença que lhe obrigou a sair da cidade de Belém de Maria, na Mata Sul do Estado de Pernambuco e vir ao Recife, a  119 km de distância, para se submeter a um tratamento prolongado. Mas, foi somente há dois anos que Geovane conheceu o Projeto Arte na Medicina, coordenado pelo Dr. Paulo Barreto Campelo. O Projeto reúne cinco professores-artesões, afora os médicos e oferece oficinas de música (nas modalidades teclado e bateria), pintura e reciclagem para os pacientes que estão aguardando tratamento.




As oficinas visam aproximar o paciente da arte, como forma de aliviar a tensão e o estresse. “Cada paciente tem sua história”, conta Geovane , e “cada caixinha é a representação de sua emoção” – acrescenta.  Conta o monitor, também, que as oficinas permitem que se criem um laço de amizade, onde a história de sua cura se transforma na esperança de muitos dos que estão começando o tratamento.

Mas, a oficina de reciclagem, que acontece de terças às sextas-feiras, sobrevive de doação. São  materiais usados e sem a utilidade funcional que todos nós podemos doar: zíperes, botões, relógios, fivelas, óculos, peças de dominó, moedas antigas, carcaça de celulares, chaves, peças pequenas de metal, lápis, tampinhas de garrafas, material usado em bijuterias como canotilhos e até palitos de fósforos. Todos eles se transformam nas mãos dos pacientes que montam, colam e se distraem na confecção. Geovane ressalta que todos os materiais doados são selecionados, porque alguns não podem ser utilizados. E no final da oficina, onde Geovane faz questão de destacar que o diálogo é a sua maior ferramenta, os pacientes, geralmente, presenteiam suas caixinhas para a família, acompanhantes ou amigos. Contudo, quando eles preferem vendê-las, o valor arrecadado é entregue a eles mesmos e serve como ajuda de custo para o tratamento, principalmente, para aqueles que vêm do interior do estado.




Parece simples, mas não é. Simples é a doação de peças que não usamos mais. Compreender a dor, consolar e oferecer a esperança, é  tarefa desses heróis diários, quase sempre anônimos.

Então, se você puder ajudar, doe peças usadas e conheça o Projeto Arte na Medicina. E se não puder auxiliar, no momento, ao menos divulgue. Alguém do outro lado está precisando que você faça uma parte.

Endereço:

Hospital Oswaldo Cruz
Procurar o Prédio conhecido como “Castelinho”
Rua Arnóbio Marques, 310 – Santo Amaro
Recife – PE
Fone: (81) 3184-1481 ou Geovane 9968-5659


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