Nós crucificamos Jesus






Ouvi, recentemente, um padre dizer que a Semana Santa quem faz somos nós, referindo-se ao nosso comportamento. Se uma semana é santa ou não, dependerá de nossas atitudes.  Realmente, ele falou com muita propriedade. Não adianta fazermos vigílias, jejuns e orações se o todo, ou parte, de nosso coração não está sempre em harmonia com o Criador.  E este sempre é o que nos incomoda. Fazer de uma semana, um dia, uma hora ou alguns minutos de vigília de pensamentos positivos, de altruísmo, de bondade e de perfeição será mais fácil, nesta época, principalmente quando tudo exorta ou convida para essa tentativa. Mas fazer diário cada gesto, dentro e fora do seio familiar, uma peregrinação com Cristo é muito mais difícil. Como dizia o mesmo padre, não adianta condenar a história, tampouco acusar um povo, porque o escolhido foi Barrabás e não Jesus, se ainda hoje chancelamos essa escolha.
Escolher Jesus significa adotar seus preceitos e ensinamentos em todos os momentos de nossa vida, formando uma identidade única. “Eu e meu Pai somos um”, disse o Mestre. Nestas palavras há uma simbiose de intenções, de formas e gestos. “E se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”, disse Jesus. Ora, quantas vezes negamos as nossas paixões, egoísmos, vaidades, orgulhos e desejos insensatos? Fazemos na semana em que os cristãos relembram o Calvário? E depois da ressurreição, da Páscoa onde colocamos o nosso coração? 


O dia-a-dia nos mostra que julgamos o próximo, o nosso parente, o nosso vizinho, o nosso companheiro de trabalho, a família da família de quem nos incomoda e tantas e tantas outras pessoas que atravessam o nosso caminho. Condenamos o outro, muitas vezes sem piedade, sem misericórdia, sem cristandade. Colocamos uma coroa de espinhos nas pessoas que contrariam a nossa forma de pensar e agir. Açoitamos quem nos critica, magoa ou fere. Crucificamos tudo e todos, às vezes por anos a fio, esquecendo a atitude do perdão. E levamos à morte o próximo quando usamos a indiferença. Choramos.


Mas, choramos e sangramos quando, à luz do evangelho, tomamos consciência que erramos e pecamos. Porque só o evangelho é capaz de ditar um código de ética onde é possível discernir entre o certo e errado, o bem e o mal. 

Caímos então, aos pés do grande líder da humanidade – Jesus, o Nazareno. Como Maria de Madalena e depois de termos adulterado seus ensinamentos, mentalmente nos ajoelhamos arrenpendidos e pedimos uma nova chance. Sentimos que surge, então, a mão de um amigo ou de alguém que nos conhece tão bem que, ao leve toque em nosso ombro, traduz as palavras consoladoras do Messias: “Vai e não peques mais”. É nessa hora que, ao termos os nossos erros envolvidos pela compreensão e pelo amor, renovamos os desejos, a vontade de viver, a esperança que podemos tentar novamente acertar. Ressuscitamos, sim, a crença em nós, compreendendo que somos imperfeitos, falidos e falíveis. Mas, que um dia chegaremos a dizer como Paulo de Tarso, o apóstolo renovado, “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”.
Boa Páscoa, boa renovação.


Imagens da Paixão de Cristo, encenada em Nova Jerusalém, PE - 2013.


Um comentário:

Obrigada pela visita.