Faltou o sinal



http://www.uniaoplanetaria.org.br/tvsupren/2011/12/27/fraternidade-universal-e-suas-implicacoes/


Lá vou eu entrando no carro mais uma vez apressada, pela manhã. No caminho, comecei a rezar pedindo para que o dia transcorresse com tranquilidade, dentro do possível. Quando passei por um semáforo e peguei velocidade tive que reduzir, quase bruscamente, porque um homem de meia-idade numa mistura de corredor e caminhante (deu para imaginar?) resolveu atravessar a avenida e apenas, sinalizar com a mão que eu, ou qualquer motorista, deveria esperar. Poxa! Ele bem que podia saber que estava usando a avenida num horário de pico. Sem paciência, ou melhor, já  pouco aborrecida continuei meu trajeto e foi aí que me dei conta, depois de alguns minutos, que eu estava rezando, pedindo tranquilidade a Deus, quando a paciência não estava em mim.  Eu estava colocando meu estado de espírito nas mãos Dele, quando não estava construindo nenhum dentro de mim. Porque geralmente é assim: nossa relação com Deus é quase unilateral, afinal tudo ocorre de acordo com a Sua vontade e, dessa forma, subtraímos a nossa parcela de ação e às vezes até de culpa. Portanto, enquanto, imaginava-me numa ligação direta com o Criador, nem percebia que, em minha volta, não havia o “sinal de transmissão”.

Pensei, então, na religiosidade. Nas nossas idas às igrejas, centros espíritas ou qualquer outro templo bem orientado, regularmente. Pensei no Cristo, aprisionado por nós, nas igrejas fazendo parte da ceia de uns poucos escolhidos, sob a bandeira de determinadas religiões. Pensei no eterno, no infinito, no universo loteado pelo preconceito, pela separação mental e, jamais, repartido pelo desenvolvimento espiritual -  resultado do esforço individual de cada espírito. Pensei também que muitos de nós já se consideram sentados à direita do Pai, talvez até sentindo a força do poder total na hora em que terá de apontar os erros de outrem, num julgamento final e impiedoso.  Pensei na melodia suave das harpas envolvendo aqueles seres tão angelicais, que tiveram seus pecados perdoados pelo arrependimento sem ter o dever de ressarcirem ao Cosmo uma parcela de suas dívidas. Pensei na salvação que, segundo alguns irmãos de Jesus, não será para todos, ao menos no Ocidente.

Acredito que a religiosidade passa bem longe, a quilômetros de distância, da cristandade, da evangelização pessoal e coletiva. As guerras santas que falem, Allah que o diga. Mas, ela é necessária se formula um código de conduta baseada no respeito e amor ao próximo. Dor, sofrimento, angústia e morte sempre fizeram parte da história da humanidade, como consequência de muitas de nossas atitudes perante a vida. Mas, acredito que não há eleitos e deverá haver, um dia, uma unidade de pensamento, de corações envolvidos no amor e na fraternidade. O amor não divide, une.

Na ocasião em que, Tia Jurema interpretada por Zezeh Barbosa, na novela “Laços da vida” (Globo,18h), foi presa por jogar búzios e consultar os orixás, cultuando suas raízes africanas, negros e brancos (inclusive o padre) se reuniram em frente à delegacia e rezaram “Ave Maria”, oração cuja origem remota ao catolicismo. Mas, foi pela boca da personagem Izabel, vivida pela atriz Camila Pitanga, que saiu uma frase que todos nós poderíamos ter dentro de si:  “Não importa a benção. Tudo que é do bem, se completa.”

Amém! Assim seja! Axé! 

Nesse momento em que o Brasil está de luto pela morte de mais 230 jovens, numa casa de show na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, façamos uma prece pedindo que o Grande Pai console as mães que tiveram seus filhos vitimados pela tragédia. Independente de credo ou religião, Deus nos ouvirá.





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