Ah, essa tal maturidade...





Essa tal maturidade! – como diria a escritora Danuza Leão quando escreveu um artigo homônimo, publicado na Revista Cláudia, setembro de 2011. Nele, Danuza comenta que ser chamada de imatura, após os 40, é quase uma ofensa porque soa como sinônimo de irresponsabilidade. Em contrapartida e falando para nós, mulheres, Danuza analisa que mesmo a maturidade nos oferecendo as condições de tomarmos decisões sozinhas, sempre vamos precisar de um colo ou aconchego, de alguém que se preocupe conosco, que nos faça carinho e divida as responsabilidades.

Ao que parece, quando estamos ainda percorrendo a casa dos vinte e poucos anos, acreditamos no domínio sobre a vida, na mudança das pessoas, no fim dos conflitos e na paz mundial, na conquista da felicidade eterna, na  fidelidade e perenidade das relações afetivas, na integridade moral de todos, na segurança e nas muitas coisas que poderão acontecer com os outros,  principalmente, o que for de negativo será muito pouco provável acontecer conosco. Fácil? Sim. Porque alguns problemas pareciam tão distantes, improváveis, lá e não cá... nunca próximos.  

Aos 20, vivemos no nosso mundinho e só permitimos que entrem pessoas que estejam em consonância com nossos pensamentos e se identifiquem com os nossos ideais. Somos tão inconsequentes, idealistas, imaturos e livres. Constestar é preciso, é quase imprescíndivel.  “Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre, sempre acaba...”. (Cássia Eller).



http://vilamulher.terra.com.br/cardapio-para-mulheres-de-40-4-1-75-519.html



Com o tempo, vamos pulando as casas decimais e cá (e não lá) estamos nos 40, 50, 60, 70 e todos os entas, com suas vantagens e seus percalços. E algumas bandeiras caem por terra e outras se levantam. Por que existiram mesmo? Nem mais sabemos porque os valores mudam, as pessoas mudam, a vida muda. Não é melhor encarar? Podemos parar o tempo? Nunca, porque depois tudo poderia ser tão desinteressante... Então, vamos viver burlando o calendário? Claro que não! A maturidade tem gosto da fruta mais saborosa da estação.  

Mudaram as estações, nada mudou. 
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu, 
  tá tudo assim tão diferente...”. (Cássia Eller).    

Será que é difícil rir do seu tempo, andar no seu tempo, viver no seu tempo e amar o seu tempo?!




O Tudo na nécessaire perguntou para algumas leitoras: O que a maturidade trouxe para você? As respostas nos levam a pensar que a nossa cabeça, depois dos 40 anos, não tem pra ninguém. É bom demais...


“Segurança. Com a maturidade eu consegui falar o que penso sem me importar com as opiniões dos outros. Antes, eu era muito tímida e medrosa. Depois dos 40, estou mais solta e sei que muitos erros podem ser aceitos, com naturalidade. Não temos a obrigação de sermos perfeitas. O lado ruim da maturidade é o efeito da gravidade (risos).”
Cassandra Melo – 42 anos

“A maturidade trouxe de positivo pra mim foi a tolerância, paciência e saber o momento certo de falar, agir.  Hoje, eu valorizo o que é realmente importante, conheço e reconheço as minhas limitações e tenho objetivos mais claros e concretos. E na tomada de decisão, sou responsável pelas consequências positivas e/ou negativas. Considero que o lado negativo da maturidade foi a perda da ingenuidade, porque quando somos crianças carregamos conosco a confiança demasiada nas pessoas e acreditamos que as coisas são fáceis de conseguir.”
Madalena Soares – 44 anos





“Não sei se é positivo ou negativo, mas com a maturidade fiquei mais cautelosa com as pessoas, com as amizades, com tudo. Fiquei também mais seletiva, mais do que eu já era e minha tolerância diminuiu em relação as músicas bregas, por exemplo, ao som alto, a falta de educação das pessoas, principalmente, em ambientes coletivos. Por outro lado, fiquei mais tolerante com os valores pessoais de cada um, porque cada pessoa tem um universo diferente do meu. Mas, confesso que a tolerância é um exercício diário.”
Carmen Nascimento – 50 anos


“A maturidade significa sabedoria conquistada e adquirida pela experiência de vida, assimilada na convivência com as pessoas e no meio social. A sabedoria, quando conquistada, pode levar a uma felicidade interior. Mas, a maturidade também pode degenerar em complexos, comportamentos estranhos e distúrbios emocionais, caso a gente não esteja preparada para conviver com as adversidades impostas pela dinâmica social.”
Tânia Leite -  na casa dos 40, mas não chegou aos 50 anos.




“A maturidade trouxe de positivo pra mim foi a experiência, conseguir enxergar o outro com um olhar mais flexível e saber aceitar as diferenças. Hoje, eu consigo perdoar com mais facilidade. A gente vai aprendendo com a vida que muitas coisas não devem ser levadas em consideração para não causar melindres".
Edilza Coêlho - na casa dos 40, mas não chegou aos 50 anos.






“Acho que a maturidade me trouxe sabedoria, clareza do que realmente quero da vida e um acúmulo positivo de conhecimentos, além de uma vontade constante de estudar e continuar aprendendo. Em contrapartida, estou mais exigente comigo mesma".
Edna Meirelles - na casa dos 40, mas não chegou aos 50 anos.

“Tantas coisas boas a maturidade trouxe pra mim. Consegui o equilibrio e ver a vida de forma mais ampla. Na amizade, eu vi mais beleza e deixei de ser intempestiva, mesmo obedecendo aos meus critérios morais. Comecei a ponderar e compreender mais as pessoas. Eu acho que vivo melhor agora e não tenho pressa".  
M. C. - 50 anos

Já pensou o que a maturidade trouxe para você? A pergunta também é extensa aos homens.


"Eterno não é o que dura para sempre, 
mas aquilo que, enquanto acontece, 
nos transforma irreversivelmente." 
Carina Destempero


2 comentários:

  1. E para você o que a maturidade trouxe?

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  2. Caro(a) leitor(a),
    a maturidade trouxe pra mim mais independência no agir, a convicção nos meus valores morais e a certeza que não existe certeza em nada, já que tudo está sempre se transformando. Beijos.

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