O anjo do caminho



De Lígia Saavedra




Certo homem pediu para vir à terra a fim de se educar em duras provas, entre elas as enfermidades, o abandono e a solidão. Para isso, montou uma choupana à beira de uma estrada deserta e poeirenta, nas proximidades de um vale imenso onde se via uma extensa vegetação e uma fonte permanente de águas cristalinas,  que lhe permitia cultivar frutas, hortaliças e verduras para seu sustento.

Viajantes iam e vinham naquela estrada. Alguns chegavam em carruagens, outros pobres romeiros a pé. Eles paravam junto ao casebre, pediam água e eram atendidos pelo eremita. Despediam-se, então, felizes e agradecidos.

Vale do Paraíba - SP

O homem solitário, demonstrando sempre bondade, voltava à fonte diariamente, enchia o cântaro e subia o vale com sacrifício que a montanha lhe impunha, mas satisfeito em poder ajudar a quem lhe pedia para saciar a sede.

Um dia, apareceu-lhe um anjo, que o Senhor havia incumbido para auxiliar a todos que passassem pela aquela estrada deserta. O eremita emocionado e feliz, passou a chamar seu novo companheiro de Anjo da Estrada, estabelecendo-se entre eles um grande convívio. Mas, apesar dessa amizade, nenhum viajante que por ali passava via aquele ser angelical. Contudo, lá permanecia o anjo. Se o eremita estava cansado, o Anjo lhe restaurava as energias; se doente, recebia dele o remédio; triste, recolhia-lhe os incentivos e reconfortos e, quando a dúvida sobre as doenças e dificuldades naturais do cotidiano, recebia-lhe conselhos recheados de amor. O Anjo também descia com ele até a fonte, tantas vezes quando fossem necessárias, e o ajudava a transportar o grande cântaro, fornecendo serenidade e paz. 

Passaram-se mais de trinta anos e a amizade entre o homem e o Anjo continuava. O ermitão agora já estava de cabeça branca, os ombros caídos, corpo marcado pelo ação implacável do tempo, entretanto estava satisfeito com a vida.

Capturada da internet, sem autoria.

Até que um dia, um homem bem prático lhe visitou a choupana. Vendo-o já velho e cansado, aconselhou: - Amigo, por que um sacrifício ainda tão grande? Não seria melhor e mais justo transferir a sua casa para as proximidades da fonte, ao invés de ir buscar água todos os dias?

O ermitão se alegrou. Como não tinha pensado nisso antes? Poucos dias depois, começou a mudança. Nos afazeres do translado de seus objetos, avistou o Anjo chorando.

- Anjo bom, por que choras? – Falou o eremita.

- Então, não percebes? – Respondeu o Anjo. Concedeu-me o Senhor a tarefa de proteger as vidas de quem se arriscasse a passar por essa estrada. Enquanto estavas lá, oferecendo água límpida aos que viajavam com sede, tinha eu a permissão de trocar contigo as bênçãos da amizade. Mas agora... Se prefere o menor esforço, é forçoso que eu me resigne a ficar à distância de ti, esperando que alguém coopere comigo, nessa empreitada.

O eremita não pensou duas vezes. Suspendeu a mudança e voltou a sua choupana primitiva, onde ele cultivava a paz e prestava serviço a uma multidão de anônimos que passava em busca de água. Ele preferiu trabalhar e ser feliz na companhia daquele que, durante anos, tinha se revelado ser seu amigo.

História contada por Chico Xavier

Muitas vezes, na longa estrada da vida, estamos felizes em algum lugar ou situação, até um dia em que somos perturbados por alguém que deseja “resolver” a nossa vida que, aos seus olhos, parece ser um problema. Mas, não é. Ou não era, até sermos incentivados a criar necessidades, pela carga de magnetismo de outra pessoa que teve a infeliz ideia de projetar, às vezes inconscientemente, suas expectativas de realizações em nossa mente. Nem sempre o que é bom para um, é para outro. Precisamos distinguir, realmente, quem deseja nos ajudar de quem apenas passa para perturbar, trazer a dúvida e a desunião. Satisfação e bem-estar, em todos os sentidos, é uma experiência pessoal. Cabe, a cada um procurar ou permanecer no caminho que ofereça paz, tranquilidade, conforto e alegria. Esta última, algumas vezes, não precisa ser anunciada, mas vivenciada em particular. 

Bom início de semana. Paz no coração.


2 comentários:

  1. TE DESEJO O NECESSÁRIO
    Autoria - Silvana Duboc




    Te desejo um relaxante adormecer
    e um suave amanhecer,
    um dia ensolarado
    sem excesso de calor,
    um buquê bem perfumado
    que transborde muito amor.
    Te desejo tranquilidade
    e que consigas matar tuas saudades,
    te desejo novas amizades
    sinceras e verdadeiras
    e saúde pra vida inteira.
    Te desejo boas lembranças,
    um futuro de esperanças
    e sorrisos largos
    sempre ao teu lado
    Te desejo um grande amor,
    algo, assim, avassalador
    e que sejas correspondida
    pois amar sozinha não é coisa divertida.
    Te desejo longas viagens
    com lindas paisagens
    e inesquecíveis programações.
    Te desejo sonhos, fantasias e ilusões
    pois a vida sem essas coisas
    transcorre sem emoções.
    Te desejo paz, aliás,
    isso é o que eu te desejo mais.
    Que a violência não te cerque
    muito menos te aprisione
    e que não te decepcione.
    Te desejo harmonia e felicidade,
    quando preciso,
    resignação e conformidade.
    Te desejo que creias que podes alcançar
    tudo aquilo que tua mente desejar,
    que tenhas fé na hora de pedir
    e que sejas agradecida quando conseguir.
    Te desejo que inspires confiança,
    energia positiva
    e que tenhas tolerância
    com pessoas negativas.
    Te desejo força e coragem,
    muita disposição e serenidade.
    Te desejo que, pela vida, possas lutar
    sem nunca esmorecer, nem se cansar.
    Te desejo que tenhas amor pelo teu trabalho
    e que recebas um justo salário.
    Te desejo, basicamente, o necessário,
    afinal é possível ser feliz sem o extraordinário.

    Um admirador secreto.

    Feliz Aniversário...
    +q.o. -q.a.

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    Respostas
    1. Esse admirador secreto tem um código não tão secreto assim rsrsr. Obrigada, Mozão.
      "Te desejo um grande amor,algo, assim, avassalador e que sejas correspondida".
      Já sou.

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Obrigada pela visita.