Recife, eu te dou meu coração...





Vista do Rio Capibaribe ao entardecer,  Bairro de Santo Antonio, Centro do Recife.



  
“Vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amigo do rei [...] Em Pasárgada tem tudo. É outra civilização”, já dizia o poeta Manuel Bandeira sobre a cidade em que nasceu – Recife,  e de onde saiu ainda menino para estudar no Rio de Janeiro. Mas, Bandeira ainda disse, em outro poema (Minha terra) que seu coração ficava pequenino quando sabia que sua terra havia mudado, referindo-se à urbanização. Saudade do lugar que ele considerava ideal, mesmo depois de percorrer o mundo? Com certeza... “Vou-me embora pra Pasárgada, aqui eu não sou feliz. Lá a existência é uma aventura.”



Rua do Bom Jesus, Bairro do Recife.


Saudade fez também o poeta João Cabral de Melo Neto exaltar nos seus versos “Aqui o mar é uma montanha regular, redonda e azul, mais alta que os arrecifes e os mangues rasos ao sul” (Pregão turístico do Recife). Saudade, esse sentimento tão bem resumido pelo compositor Capiba na música “Voltei, Recife. Foi a saudade que me trouxe pelo braço. Quero ver novamente “Vassoura” na rua passando, tomar umas e outras e cair no passo [...]”. Haja coração!



Baobás, árvores centenárias na Praça da República.



Não sei se você vai concordar comigo, mas podemos percorrer o mundo, contudo quando o avião aterrissa na terra natal, estufamos o peito e dizemos para nós mesmos “enfim, em casa”.  Você sente um arrepio que percorre o corpo, passa pela espinha dorsal quando escuta o hino de seu estado? Quem é pernambucano, é impossível ouvir um frevo e não balançar o pé. E o maracatu? Poxa, é demais, aquelas batidas dos tambores lembrando nossos ancestrais africanos e fazendo saltitar o coração.  Ponha à mesa! Vamos saborear a carne seca com feijão verde e macaxeira, a tapioca, a pamonha, a galinha à cabidela acompanhada da farofa de jerimum, o baião de dois,  o suco de graviola - hummmmm que delícias. E as praias, o sol, o mar, “Salve! Ó terra dos altos coqueiros! De belezas soberbo estendal. Nova Roma, de bravos guerreiros! Pernambuco, imortal! Imortal!”. Bravo Yane Marques, no seu pentatlo, em Londres!



Assembléia Legislativa de Pernambuco, considerada o Palácio de Joaquim Nabuco. Em primeiro plano, a escultura de um caranguejo em homenagem ao cantor Chico Science.


Você sente amor pela sua cidade? Você se emociona ao vê-la sendo representada? Isso não quer dizer que você não tenha consciência de seus problemas: Trânsito infernal, buracos nas rodovias exigindo reparos, faltam ciclovias, violência que aprisiona todos em casa, infância abandonada nos semáforos, tratamento inadequado do lixo, déficit habitacional, educação pedindo maior comprometimento dos gestores públicos para ampliar e implantar programas que beneficiem jovens e adultos, serviço de saúde agonizando e os hospitais pedindo socorro, e tantos outros problemas que seria impossível citar todos, mas que são tão comuns às grandes cidades. Mesmo sabendo de tudo isso, passe bem longe de você quem ousar falar de sua terra, ao menos aqueles que são estranhos ao ninho.



Prédio da Prefeitura da Cidade do Recife.



Mas é a necessidade de solução para esses problemas que, às vésperas das eleições 2012, deve nortear a escolha daquele que nos representará por quatro anos, que irá gerir a receita do município e melhorar as condições de vida da população; aquele que irá se comprometer com um programa de governo tão eficaz que os próximos gestores tenham obrigação de dar continuidade, independente do partido político que abraçam. E por amar a nossa cidade, temos de ter consciência que o voto é mais do que uma obrigação, é um instrumento capaz de nos tornar governo.

Faço minhas, então, as palavras do cantor e compositor Lenine:

Bom final de semana, e que neste seja o exercício da cidadania
 e a celebração da democracia.


Todas as fotos são do meu arquivo pessoal.









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