Eita liçãozinha difícil !


Cada um vive dentro do seu próprio mundo

Texto de Firmino Leite




Um dos ensinamentos mais profundos que aprendi é que tudo o que acontece conosco durante a vida se passa dentro de nós, e não fora. Cada um vive dentro do seu próprio mundo e, assim, pode fazer dele um ‘céu’ ou um ‘inferno’.

É fácil entendermos isso quando compreendemos que todos os atos e acontecimentos da vida são neutros. O que vai determinar se sofrerei ou manterei a paz interior diante do ato ou do acontecimento é como eu vou me relacionar, mentalmente, com as compreensões que eu tiver desse ato ou acontecimento. Só isso. Não é o ato ou acontecimento em si que importa, mas como eu reajo mentalmente a ele.

Vamos aos exemplos...

Imagine que alguém está diante de você e o critica. Você tem duas escolhas: sofrer com a crítica ou manter a paz. Na primeira opção, você disse a si mesmo: ‘Olha que absurdo! Ele está me ferindo! Deixe-me dar uma lição nele!’. Já na segunda opção, você disse a si mesmo: ‘É, está me criticando, e daí? Deixa ele me criticar. Problema é dele se não gosta de mim. Quem disse que todos precisam gostar de mim?’ Nesse simples exemplo vemos que não é o ato da crítica que importa, mas como nos relacionamentos internamente com ele.






Outro exemplo...

Imagine que durante uma conversa alguém diz que você está errado e que não tem razão. Você novamente pode sofrer com isso ou manter a paz. Se você quiser defender a sua posse moral (‘eu sei’, ’eu tenho certeza’), provavelmente uma discussão será iniciada, e você vai sofrer se não conseguir convencer o outro que ele está errado e você está certo. A sensação de contrariedade que sentirá será o seu individualismo sendo atacado e ferido. Você queria ter a razão e, por isso, passou pelo ato com sofrimento porque não conseguiu convencer o outro que o certo aí era você e não ele.

Mas você também pode optar em passar pelo mesmo acontecimento sem sofrimento, com paz interior, se não quiser defender internamente nenhuma posse moral, mesmo que externamente esteja mostrando o seu ponto de vista. Por que você não estaria disposto a defender nenhuma posse moral? Porque você não tem certeza de nada. Você nada sabe. Você tem plena consciência que tudo o que lhe vem pela mente é apenas uma ideia ou verdade relativa. Dessa forma, não há motivos para defender aquilo que você fala, compreende ou até mesmo acredita. Você simplesmente mostra o seu ponto de vista ao outro, mas sem obrigações de convencer ou converter ninguém.

Mais um exemplo...

Imagine que alguém fala ou faz algo que contraria você. Você pode sofrer ou não com isso. Se você sofrer é porque não queria que isso acontecesse, achou que foi algo negativo, errado, ruim, mau, injusto. Você vai brigar com o outro, seja por pensamentos internos, palavras ou atos. Mas como você só vive dentro do seu próprio mundo, na verdade está brigando consigo mesmo, e não com o outro que está vivendo dentro do mundo dele. O outro pode estar reagindo diante disso com paz, tranquilidade e harmonia. E você, achando-se o todo-poderoso está, na verdade, dando murros na própria mente e não no outro. Aqui compreendemos uma grande verdade: você jamais pode atingir quem não quiser ser atingido. Imagine quantas vezes isso já aconteceu com você. Você estava lá ‘dando uma lição’ no outro, mas na verdade estava brigando consigo mesmo, com o seu próprio mundo interior que se sentiu ferido, e você precisou defendê-lo a todo custo.

Então, comece a colocar isso em prática. Comece a compreender que você está sempre dentro de si mesmo e nunca fora. O fora não existe. Os atos não importam. Os acontecimentos não importam. O ambiente também não importa. O que realmente importa é como você está reagindo mentalmente a tudo isso. E quando se vir contrariado ou ferido pelos atos dos outros, perceba que, na verdade, foi o seu próprio mundo que escolheu isso. E o grande ‘culpado’ nunca é o outro ou os seus atos, mas sempre você mesmo que optou por passar pelo acontecimento de uma forma sofredora, enquanto que, provavelmente, o outro passou pelo mesmo acontecimento sem sofrimento. Afinal, cada um vive dentro do seu próprio mundo. E cada um tem o livre-arbítrio de criar o seu próprio ‘céu’ ou ‘inferno’.


O texto foi enviado pela leitor Marcílio Freitas.



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