Qual é a música?




Música, Música
Companheira do quarto dos rapazes
Entre revistas e fumaça
Confidente do quarto das meninas
Entre calcinhas e sandálias
Música, música
Farol na cerração dos grandes medos
A força que levanta os bailarinos
Elétrica guitarra entre os dedos
Aflitos e quentes dos meninos
Música, música
Irmã, imã, irmã
Feroz como a ira do Irã
Ou mansa como o último carinho
Quando já chega a manhã
Música, Música
(Simone).



Há uns dois anos, num sábado pela manhã, fui ao centro da cidade com minha filha, na época com quinze anos. Estávamos no vai e vem de entrar e sair das lojas quando uma música, vinda desses ambulantes que vendem cd pirata,  invadiu o comércio, se é que aquilo podia ser chamado de música. Sem intenção de ter uma retórica moralista, o que chegava aos nossos ouvidos era um som repleto de uma vulgaridade sem limites e de uma imensa agressão à mulher.  Mas, tudo ali parecia tão normal..., menos pra mim, ou melhor, para nós duas. Fui tomada de uma vergonha e tentei contornar a situação, dizendo para minha filha que ela não escutasse aquilo, mas prestasse atenção às lojas. 

O leitor pode está rindo e até mesmo pensando "mas, não é isso que vemos em muitos meios de comunicação de massa?". Sim, mas cabe a cada pessoa fazer a sua seleção, e esta passa por um processo chamado educação.  É uma problemática que leva a um debate exaustivo, interminável e o qual me subtraio. Contudo, como mãe posso dizer que, se você estiver educando a futura geração, tenha cuidado para não transformar o ouvido do filho em lixeira, porque os frutos podem até tardar, mas virão. Portanto, conduzam o seu consumo cultural.






Por essas razões, a censura passou lá em casa, sem piedade e se revelou no cuidado que tivemos com as músicas que os nossos filhos escutavam. Quem se lembra do grupo É o Tchan? Eles cantavam o que mesmo? Mas, alguns pais devem lembrar o quanto as crianças e adolescentes eram bombardeados para usarem os shortinhos, aqueles mesmo que faziam até a ultrasonografia do útero. A “moda”, ditada pelas bailarinas do grupo, despertava uma sensualidade precoce, mais um fator para abreviar à infância entre tantos. Nunca deixamos a nossa filha usá-los, tampouco ficamos achando graça na coreografia das bailarinas para depois, em público, repreender a criança. Caretice? Ainda não chegamos a essa conclusão. Pelo contrário, assim não teríamos visto a alegria de nossos filhos indo a alguns shows, entre eles o de Paul Mccartney, quando o músico esteve em Recife. Nesse dia, para muitos pais, não houve divisão de gerações, mas uma mesma vibração, uma só voz, um mesmo sentimento, porque uma boa música transcende ao tempo, aliás, não há tempo, nem espaço porque ela se eterniza...









Mas, se por um lado existe uma corrente para criar um produto cultural descartável, onde as músicas se restringem a uma sopinha de letras como thu tcha tchu, ou "e nóis fazer pararapapa" (ninguém merece!), por outro lado muitos dos nossos jovens estão andando na contramão. Ótimo! Exemplo disso foi o encerramento do festival Coquetel Molotov, neste último final de semana, onde o cantor baiano e sessentão Moraes Moreira foi acompanhado por um público jovem, em delírio, cantando as músicas que ele tinha lançado há quarenta anos, quando era integrante do grupo os Novos Baianos. Outro exemplo, são as próprias telenovelas que tem resgatado, para suas trilhas sonoras, músicas como Suspicious Minds e Everything I own. E muitas das bandas atuais, como Skank e J. Quest gravaram sucessos de cantores como Roberto Carlos, alterando apenas os seus arranjos. Até o inigualável compositor Djavan se deu ao luxo de ser apenas intérprete de muitas canções já consagradas pelo público, contidas no seu penúltimo cd - Ária.  E agora temos o cantor Léo Jaime fazendo um incrível sucesso com a meninada, no seriado Malhação.

Ouvir músicas, boas músicas, aquelas que têm a rima e a poesia estudadas dentro das salas de aula, acalmam o coração, harmonizam o corpo, ecoam na alma, traz à tona as lembranças de momentos inesquecíveis, fazem bem e não perturbam.

Mas enfim, gostos à parte, o que o Tudo na nécessaire deseja mesmo é compartilhar, e foi por isso que comecei a escrever, mas, embalada por uma boa música quase não citava a leitura que fiz sobre uma pesquisa realizada pela Universidade Brunel, em Londres. Segundo os cientistas, ouvir música na hora de malhar, caminhar e realizar qualquer outro exercício físico reduz o cansaço, melhora o humor, nos motiva a aumentar o ritmo dos exercícios e, consequentemente, beneficia o cérebro e o coração. Portanto, escolha seu estilo porque como já dizia o filósofo Platão “A música é o remédio da alma”. Alguém duvida?
 





Um comentário:

  1. Sem sombra de dúvidas,uma boa música acalma, contagia, permite celebrar, compartilhar, enamorar... viver!
    Bjs, Sandra

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita.