Delicado como uma porcelana






Esta floreira lembra uma que minha mãe tinha em casa, num formato de leque.



Sempre que possível visito antiquários. Neles voltamos ao tempo, às vezes até recente, mas vividos por nossos pais e avós, porque encontramos objetos que, se não estiveram em nossas casas na infância, estão nas novelas e filmes de época, em livros de história. Um dos objetos que mais me encantam são as louças, principalmente, os pratos de porcelana pintados ou trabalhados com esmero, que se transformam em verdadeiras obras de arte. Já imaginou servir um jantar num jogo de porcelana, com bordas em ouro,  valorizando as iguarias e mais ainda os convidados?  



Porcelana inglesa, década de 30. De John Maddock & Sons Ltda

Se você tem porcelanas sabe que elas exigem cuidados especiais no manuseio e ao guardá-las. Para protegê-las de arranhões, separe-as com papel-manteiga ou, já bem em uso, o plástico-bolha. Jamais coloque peso sobre as porcelanas e as pilhas de pratos devem ser de até cinco. Além do cuidado em manuseá-los, que certamente você terá, a lavagem deve ser com uma esponja macia, assim como a secagem com uma toalha de algodão. Evite toalhas de feltros porque soltam pêlos.  E se você está pensando que é muito trabalho, não se enganou porque sua secretária deve passar bem longe deles, caso você não queira cometer um crime rsrsr. Mas, se você não tem porcelanas, fique sabendo que ao adquiri-las estará fazendo um investimento para toda a vida.




Porcelana Xangai, da Cia das Índias, início do Século XVIII.

A porcelana é uma invenção dos chineses, no século X. Mas, os europeus só foram usufruir desta invenção depois que o mercador veneziano Marco Polo (1254-1324) se encantou e levou algumas peças para Itália, provocando admiração. Tanto assim que os italianos, maravilhados com a textura homogênea e o perfeito acabamento, chamaram as peças de “porcella”, nome de um molusco de concha lisa e translúcida. O acabamento de uma porcelana é tão delicado que pode ser até em ouro, como as usadas pela coroa britânica.



Xícara  bigode, Século XIX, da inglesa Hammersley & Co. Permitia que os homens
tomassem café sem molhar o bigode.








As porcelanas deste post fazem parte do Antiquário Café, de Sérgio Zarzar, localizado numa das ruas principais da cidade de Gravatá, a 85 quilômetros do Recife, no Agreste pernambucano. Sérgio é colecionador e há cinco anos abriu o Café. Suas peças são garimpadas pelas viagens que faz dentro e fora do país, reunindo coleções de famílias tradicionais.  Uma tarde no Café você pode se deliciar com um excelente bolo de noiva, num ambiente nostálgico e  bem cuidado, ladeado por cristaleiras, decorado também com fotos antigas, algumas ainda contendo dedicatórias. A impressão é que a qualquer momento você vai esbarrar com uma senhorinha, trajando um vestido longo bordado com renda da terra, tendo na cabeça  um chapéu e nas mãos um leque. O atendimento é ótimo e você vai precisar se controlar muito para não comprar todas as porcelanas que estão em exposição, as baixelas, pratos e demais acessórios. 


Um comentário:

  1. Eh, amiga, fico imaginando sua carinha apreciando essas relíquias... Dá até para comparar a uma criança se deliciando com seu bombom. Ótima opção, realmente... entretanto, a suavidade do texto e a riqueza de DETALHES nos permite dividir contigo, a visita.
    Bjs, Sandra

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Obrigada pela visita.