Quando a raiva causa estragos






Você acorda de bom humor e sai de casa para suas atividades rotineiras, mas pega um trânsito caótico e lento. Os minutos começam a passar e você se impacienta, seu humor já não é mais o mesmo de algumas horas antes... Você sente raiva?

Você corre para pegar o transporte coletivo porque está atrasado. Mas, quando você chega ao seu destino, lembra que se esqueceu de levar algo importante. Você sente raiva?

Você fica em casa, durante todo o final de semana, para estudar aquela prova da segunda-feira. Mas, na hora da prova não cai nada do assunto que você estudou. Você sente raiva? 

Você sente raiva mais de uma vez por dia? Quais as situações que lhe levam a esse sentimento? São situações ou pessoas que lhe deixam com raiva? Pensou?

Se você sente raiva mais de uma vez por dia, saiba que você não é diferente de outras pessoas. 




Segundo o Dr. Gary Smalley, citado por Steven K. Scott - autor do livro “Salomão, o homem mais rico que já existiu”, editado pela Sextante, “a raiva não é uma emoção primária, mas secundária, causada por mágoas mal resolvidas, frustrações, medos ou uma combinação dessas coisas.” É um sentimento negativo presente em todos nós porque quando nascemos, 100% das nossas necessidades são satisfeitas por outras pessoas. Na infância, o mesmo acontece com a maioria delas. Até mesmo na adolescência esperamos que os outros satisfaçam muitos dos nossos desejos. Consequentemente, passamos a ter uma sensação nada realista de que merecemos tudo. Essa sensação pode se tornar um enorme obstáculo para nossa felicidade. Ela cria uma séria de expectativas em relação aos outros. Esperamos que as pessoas façam coias que nos tornarão felizes e realizados, que mostrem que nos valorizam e admiram. Em cada relacionamento, criamos subconscientemente uma séria de expectativas. Sempre que alguém não consegue atendê-las ou, pior ainda, se faz algo que seja contrário a elas – ficamos frustrados e magoados. E, quando a experiência se repete, tememos cada vez mais que as expectativas nunca sejam atendidas. Essas mágoas, frustrações e medos mal resolvidos criam a emoção secundária, chamada de raiva.

Ele cita que sempre que estamos com raiva, temos capacidade de lidar com a sua verdadeira fonte e dissipá-la. Mas, podemos também reagir à outra pessoa expressando nossa raiva ou retendo-a dentro de nós. A maioria a retém dentro de si, porque expressá-la pode levar as consequências desastrosas e até ao seu extremo como assassinatos ou outro tipo de violência física, verbal, moral ou psicológica. Entretanto, guardar a raiva ou enterrá-la não resolve o problema porque irá gerar ressentimentos, amarguras, além de envenenar os nossos pensamentos. E cedo ou tarde poderemos explodir e qualquer irritação irá contribuir para que isso aconteça.



A única maneira de nos livrarmos da raiva é tratar suas raízes, como diz Dr. Smalley. Porque cada uma delas tem apenas uma raiz: nossas expectativas não cumpridas

E como lidar com essas expectativas? Steven K. Scott aconselha:

Primeiro, identificá-las. Sempre nos sentirmos magoados, frustrados ou com medo, devemos nos perguntar sobre qual das suas expectativas não foi atendida. Encontrada a resposta, teremos uma escolha: ou se agarrar ao problema gerado ou procurar nos desapegarmos dele e seguir em frente. Feito isso, conquistaremos a paz de espírito e conseguiremos nos libertar da raiva.



Mas, não é fácil. Por isso, ele cita sete passos para nos livrarmos desse sentimento que tanto estrago causa em nós mesmos. 
Coloque a ofensa por escrito. Escreva o que aconteceu, se uma pessoa magoou você, mexeu com sua autoestima ou lhe ofendeu. Ao escrever sobre o acontecimento ou sobre a pessoa, muitas vezes leva você a refletir sobre a situação de forma mais realista e não potencializada. Você pode perceber que os fatos são mais simples.
2.    Permita-se lamentar o prejuízo. Existem fatos que entristecem e se você tentar disfarçar, não estará resolvendo a mágoa ou o problema, mas sim, deixando-a estocada dentro de você.
3.    Tente entender melhor a pessoa que lhe ofendeu. Será que a pessoa percebeu que magoou você? Ela age sempre dessa forma com todos ou apenas com você? Todos nós somos capazes de magoar outra sem nos darmos conta dos estragos. Será que não foi isso que aconteceu? Foram palavras ditas, “sem pensar”?
4.  Procure tesouros escondidos na ofensa. É muito difícil, mas existem situações que se encaradas como aprendizagens, tornam-se mais leves e deixam uma lição positiva. 
5.    Escreva uma carta ou email, mas não envie e seja sincero. É uma grande oportunidade de desabafos e aproveitar para colocar tudo para fora. Vai lhe fazer bem!
6.    Liberte a outra pessoa das mágoas que ela causou e das expectativas futuras. Em hebraico, “perdoar” significa deixar de lado e seguir adiante, e “perdão” é sinônimo de libertação.  Mas, o perdão não está restrito a palavra, mas em atitudes. E quando você liberta a outra pessoa,  tira-lhe dos ombros quaisquer expectativas futuras. Com essa atitude,  você será libertado da raiva e amargura.
7.  Estenda a mão. Quando você sentir que pode machucar outra pessoa, tente ser compreensivo, fazendo um gesto de bondade e compreensão. Com certeza, sua atitude terá grandes chances de neutralizar esse sentimento de raiva.

Como você percebeu, administrar a nossa raiva é resultado de um exercício diário e uma mudança de atitudes que irá beneficiar a nossa mente, nosso espírito e, consequentemente, o nosso corpo.

Bom início de semana para você.


2 comentários:

  1. Gostei da tirinha. Porque, na hora da raiva, as pessoas costumam dizer o que querem e depois vêm pedir desculpas como se nada tivesse acontecido.Mas, a mágoa ficou. Essa não se apaga com uma palavrinha, não. Então, vamos pensar mais antes de magoar alguém.

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    1. Concordo plenamente. Obrigada peloseu comentário.

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