Mais um livro








Passei dezessete anos de minha vida fazendo o planejamento gráfico, a coordenação técnica e editorial de livros, revistas, periódicos e relatórios, sobretudo, na área jurídica. E posso afirmar que em todas as publicações, que foram muitas, existia um fato comum: o desejo, uma paixão do autor para ser lido. Só isso! Poucos escritores, com quem tive a oportunidade de trabalhar, deixaram transparecer a vontade de obter lucro através do dinheiro. Todos almejaram sim, o sucesso que poderia ser traduzido nos comentários de seus leitores, apreciadores da obra, condição esta que lembra uma das cinco leis do matemático indiano Shiyali Ranganathan, divulgadas há mais de oitenta anos e que continua ainda atual: “Livros são para serem usados”, ou seja, lidos. À primeira vista, esta lei parece ser tão obvia, mas infelizmente não é.

O escritor brasileiro enfrenta, com raras exceções, um mercado editorial inóspito, principalmente, para os iniciantes. No país, afora o eixo Rio-São Paulo, poucos são os estados que possuem editoras, suficientemente estruturadas, que podem investir numa publicação desde a sua composição, à publicidade, distribuição e comercialização. O que existe, na verdade, são gráficas que se restringem à impressão, deixando ao encargo do escritor as demais funções, assim como o pagamento integral dos custos que, diga-se de passagem, são bem elevados e atribuídos ao preço da matéria-prima, particularmente, do papel que se soma a pouca demanda por esse tipo de serviço. O  resultado é o alto valor que os leitores têm que desembolsar para adquirir o produto. E aqui não estamos falando, sequer, das revistas técnico-científicas que, se não são frutos dos investimentos de instituições de pesquisas, estão fadadas a tiragem apenas do primeiro número, já que carece de um público específico e pagante até mesmo por uma assinatura, o que tem levado a algumas publicações circularem apenas no formato digital, com livre acesso ao seu conteúdo.

Apesar dos muitos avanços econômicos e a ascensão de algumas classes sociais, nos últimos anos, livros ainda são caros e estão restritos a uma parcela da sociedade que prioriza o conhecimento, a diversão, a educação e a cultura através das letras. 

Diante de um quadro nada animador, o leitor deve está se perguntando: Então, por que se escreve? Para expor e registrar suas ideias, fomentar e ampliar um debate acadêmico, relatar e compartilhar experiências, formar opiniões, gerar conhecimento e tantos outros motivos que só é possível perceber quando se tem a grata satisfação de conversar com um escritor. O brilho no seu olhar, a empolgação, a crítica pessoal, a dúvida, a coragem e até mesmo a ousadia de falar de seus escritos assemelha-se a expectativa de estar gerando um filho. Uma publicação é um filho para o escritor, seja ela um artigo científico ou mesmo uma vasta coleção composta de muitos volumes. É nela que o escritor reune as emoções de estar repassando suas memórias, frutos de pesquisas ou experiências pessoais.  




Poder captar essas emoções, esse sentimento, projetar a estrutura e consolidar sua criação é, sem dúvida, um dos momentos mais preciosos de uma editoração e posso afirmar ainda que cada publicação tem o seu fascínio, sua história e caminho. Ler, reler, sistematizar, normatizar e soltar para um público cada uma delas é uma responsabilidade sem dimensão, mas compensada pela alegria do seu autor. É este sentimento que tenho a certeza que estará envolvendo o Dr. Alfredo Sérgio de Magalhães Jambo, hoje à noite na sede dos Diários Associados, em Recife. Com o título “Investigação de Giambattista Vico”, o desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco, ensaísta, poeta e um pintor capaz de ilustrar as páginas dos seus próprios livros, entregará ao leitor mais uma de suas obras, desta vez com o prefácio do filósofo pernambucano, mas com expressões mundiais, o Prof. Nelson Saldanha. O livro traz a chancela da Academia Pernambucana de Letras, contendo um selo da menção honrosa recebida através de seu último concurso literário. Com este livro, Alfredo Jambo encerra um dueto que tive a competência de planejar e coordenar a edição, atendendo ao seu convite, e que resultou também no livro “Reflexões sobre o crime”, lançado no início de junho.
Ao público, boa leitura! 


3 comentários:

  1. Você fechou com chave de ouro!!! Joselma

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  2. Sou testemunha do quanto você é comprometida com cada publicação que lhe chega às mãos, para que o autor se sinta realizado. Sei também o quanto o trabalho desse de gestão é árduo e desgastante. No entanto, como você se envolve muito, torna-se gratificante ter mais um projeto concluído e, principalmente, com a aprovação dos autores.
    Everaldo

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  3. Faço minhas as palavras de Joselma. Parabéns!

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