Onde encontrá-la?





Certo dia, um pintor desejou expressar numa tela o que seria felicidade. Como não lhe ocorria uma inspiração, ao amanhecer ele saiu de casa e caminhou na expectativa de que poderia descortinar alguma paisagem ou encontrasse alguma pessoa que pudesse lhe servir de inspiração.

Não tendo andado muito, ele encontrou um soldado regressando da guerra. Perguntou então, ao combatente o que seria felicidade. O militar, com o corpo coberto de ferimentos, cicatrizes e recordando os terríveis quadros das batalhas de que fora testemunha, respondeu, ainda horrorizado e com um sorriso triste: 

- Felicidade é a paz. Onde houver a paz, ali haverá felicidade.

O artista agradeceu, mas percebeu que não saberia passar para uma tela um tema tão abstrato, sobretudo, num mundo onde existem tantas guerras. E resolveu seguir estrada à fora, continuando sua busca.

Quando o sol estava marcando meio dia e inundando a natureza com sua luz ofuscante, além do calor, o artista cruzou os passos com um padre. Ficou feliz. O sacerdote poderia auxiliá-lo, visto ser um servo de Deus, vivia a socorrer os doentes, os tristes, os órfãos, as viúvas. Interrogado, o padre explicou calmamente:

- Felicidade, meu filho, é a fé. Onde houver a fé, ali haverá felicidade.

O jovem pintor agradecido pela sugestão e sem atinar como também poderia passar para um quadro um assunto tão controvertido diante de tantas religiões e tanta gente descrente de tudo e de todos, continuou a sua busca.

Agora, o sol já desaparecia no horizonte, em meio ao mar de nuvens avermelhadas. Aproximava-se o anoitecer. Os pássaros buscavam repouso nas árvores que balançavam suas folhas ao vento. Foi quando o artista viu caminhando ao seu encontro uma jovem com um cântaro no ombro. Ela ia buscar água potável numa fonte próxima. Animado, o artista fez a mesma pergunta, ao que a mulher respondeu, pensando no noivo distante:

- Felicidade é o amor. Onde houver amor, ali haverá também felicidade. E afastou-se em direção à nascente, enquanto nosso artista novamente ficou sem entender como pintar um quadro que retratasse o amor.

Diante do insucesso e porque a lua cheia já despontava no céu, o artista regressou ao seu lar, cansado e entristecido. 

Contudo, assim que chegou, o pintor percebeu que no seu ambiente doméstico havia paz, aquela paz de que falara o veterano de guerra, pela manhã. Ali o aguardavam ansiosos seus dois filhinhos sorridentes, em cujos olhos cintilavam a fé, referida pelo padre, ao meio-dia. E sua esposa, que o beijou e abraçou, indo preparar uma sopa de legumes para o jantar, nela ele sentiu a pureza do amor, citada pela adolescente sonhadora. Ele concluiu que dentro de seu lar existiam todas as condições para reinar a felicidade, até então ele nunca tinha percebido.

Este conto foi atribuído ao Léon Tostoi.

Bom início de semana. 
Desejo que você possa aproveitar todas as oportunidades que a vida lhe oferece.
 


 MARTINS, Celso. É possível ser feliz? São Paulo: Eme, 1995. p. 13.

Um comentário:

  1. Oi,rsrs fiquei um tempão no aquario dando
    comida p/ peixes,kkkk
    ótima semana
    fique com Deus
    Bjão ✿◠‿◠)✿
    /(.”)__☆
    /||\
    _||_
    www.coisasdeladdy.com

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