Palitos premiados





O sonho de todos aqueles que apreciam picolé é encontrar, alguma vez na vida, um palito premiado e que lhe dê direito de repetir a dose, gratuitamente.  Mas, o prêmio mesmo quem encontrou, podemos dizer, foram os artesões Carlos e Valéria que descobriram uma forma de fabricar móveis com (pasmem!) os palitinhos de picolé.




José Carlos do Nascimento é pernambucano, mas viveu vinte e três anos em São Paulo e foi lá que iniciou os seus primeiros contatos com a arte fazendo, sem grandes intenções, um relógio usando palitos de picolé. Os amigos gostaram tanto do relógio, que o fato se transformou em incentivo para que Carlos confeccionasse outras peças até chegar ao projeto das mesas, cadeiras, racks, luminárias e objetos variados que fazem parte de sua loja.




Voltando ao Recife, Carlos conheceu Valéria Gibson, uma mestra na arte da pintura em tecido e bordado. Descoberta as afinidades, hoje eles estão casados e há mais de 10 anos trabalham com material reciclado, principalmente, palitos e jornais. Ambos fazem parte do rol de artesões que vêem, na cidade de Gravatá, um mercado promissor para o artesanato devido à procura dos turistas pela região de clima agradável. Hoje, Carlos e Valéria, além dos produtos já citados, têm porta-DVDs, sofás, banquetas, divisórias, pranchas,  molduras e  seus diferenciados relógios que já visam a Copa de 2014, onde o estado de Pernambuco sediará alguns jogos. 
Com 22 mil palitos em diante, Carlos confecciona, geralmente em uma semana, as peças maiores como uma penteadeira. Seu atelier fica na sobreloja e sua matéria-prima é comprada na cidade vizinha, em Caruaru, ou recebida por doação dos amigos que moram em Recife. “Hoje, prefiro comprar 10 mil palitos que vêm numa caixa do que reutilizá-los, porque terei de fazer um tratamento para limpar a madeira. Mas, os jornais, os amigos não esquecem que eu preciso para o meu ganha-pão” – afirma Carlos. Também com orgulho ele enfatiza “os arquitetos quando conhecem minhas peças, compram imediatamente porque enxergam uma chance de dar um toque diferente ao ambiente”. E haja palitos!


Com a mesma conscientização que é possível reciclar material e criar possibilidades de aumentar a renda familiar, Carlos e Valéria estão também fazendo bandejas, com fitas sintéticas que sobram das indústrias que fabricam cadeiras de alumínio. “As sobras de fitas são jogadas no lixo e nós reaproveitamos”, confirma Valéria.

Mas, o que ambos reclamam é que, apesar de Gravatá ser uma cidade turística, falta apoio e incentivo da Prefeitura para os pequenos artesões. “Falta divulgar nossa arte”, reivindica Carlos.


Endereço: Rua Agamenon Magalhães, n. 478 – loja 1 – “Carlos Artesão”
Funciona: Das terças aos sábados, de 8 às 18 horas.
Fone: (81) 9651-8869


Um comentário:

  1. Criatividade realmente não tem limite! Essa também é uma ótima maneira de ajudar o meio ambiente pela reciclagem. Ótimo texto.

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