Feliz idade da roupa



Existe uma roupa própria para cada idade? Algumas pessoas dizem que sim, outras que não. Ditar moda hoje é quase como dá um tiro no pé para muitos estilistas. Quem se arrisca? Há sim tendências, sem dúvida, mas não tribos. Nós mulheres conquistamos tanto espaço, segurança e autonomia que vestimos aquilo que melhor nos convém. 


Da Griffe Rosa Morena


Revolucionamos muitos costumes e tradições. Modificamos a organização familiar e conseguimos nos destacar em todos os campos de atuação desde a política, educação, entretenimento e negócios. Se realizamos tantas mudanças, sabemos o quanto a roupa faz parte de um estado de espírito, que pode variar com o dia ou ciclos. Passamos dos shorts para as bermudas, dos vestidinhos bem acima dos joelhos para os pouco abaixo, do despojamento ao clássico. Naturalmente, vamos metamorfoseando-nos, criando mil possibilidades e combinações. Neste processo, arrastamos conosco um calendário sem peso e dor, porque compreendermos que cada fase tem o seu bem estar e glamour. E como leoas que somos, buscamos sempre com avidez esse estado d’alma.





As muitas etapas da vida permitem a construção do nosso ser e personalidade. Mas, é a mudança da adolescência para a fase adulta que reunimos muito mais anseios e inquietações. Desejamos desbravar o mundo com nossos ideais. Somos irreverentes, contraditórias, contestadoras. Tudo podemos. Tudo é possível ou alternativo. E levamos este sentimento para as roupas. É hora do artesanal, do diferente, impactante, tons fortes e estamparias. Aos 20 anos tanto faz os comprimentos curtos ou longos. Mostrar é a onda da vez, sem contudo parecermo-nos vulgar.



“Gosto de roupas leves e descontraídas. Shorts e vestidos soltinhos fazem o meu estilo. Nos acessórios, prefiro os artesanais.” 

Danielle Mitchell, 17 anos, estudante de Nutrição, UPE.




Aos 30 anos




Definição de estilo e autoconfiança marca a mulher balzaquiana. Aos 30 anos, geralmente, estamos investindo na profissão e planejando a maternidade. O corpo como o estilo já está bem definido, sendo preciso apenas continuarmos delineando-o. Pensamos em plásticas e lipoaspiração.  Nosso guarda-roupa já não é mais o mesmo. Algumas peças são substituídas por camisas, blazers, saias e calças de alfaiatarias. Começamos a prestar mais atenção às grifes. Os acessórios como bolsas, colares, cintos, pulseiras, anéis começam a se destacar. Nessa fase ainda evidenciamos as curvas e os saltos são integrantes fiéis de nossas sapateiras.



“A roupa acompanha nossas conquistas e maturidade”. 

Priscila Luana, arquiteta.



Aos 40 anos


Daniela Escobar - atriz



Feliz idade da segurança pessoal, familiar, profissional, sentimental e do corpo. Mas, ainda é o sonho de muitas mulheres terem a maturidade dos 40 e o corpo dos 20. Somos mais exigentes com tudo e desejamos perfeição também nas roupas e acessórios. Roupas coladas ao corpo, nem pensar. Se não conseguimos ser magras até agora, só nos resta a próxima reencarnação.  Podemos continuar modelando o corpo, mas a ordem da vez é disfarçar as gordurinhas porque a queima de calorias acontece bem mais devagar.  As saias já não são tão curtas e começam a se aproximar dos joelhos. O look reune versatilidade e sofisticação até nas lingeries.




Com certeza existe uma diferença na roupa que vestimos em cada fase da vida. O short que usamos aos 20 anos não é o mesmo dos 40. Mas, no meu guarda-roupa não podem faltar calça jeans, vestidos, bermudas e camisetas
para uma ocasião descontraída”. 

Izamar Ciriaco,   Promotora de Justiça.




Aos 50 anos



Lilia Cabral - atriz.




Continuamos tão atraentes como nos 40 anos e assumir a idade é atitude de mulher bem resolvida com o mundo e consigo mesma. Na roupa,  a passagem pelas fases anteriores vai dando lugar às peças mais soltas e deixando a transparência ao lado. Preservamos o conforto e elegância. As nuances podem ser um pouco forte e os acessórios dourados vão compor o visual. Blusas com mangas mais compridas nos darão comodidade para o dia, e à noite podemos lançar mão de mais ousadia. Mas, sem dúvida alguma, o visual será sempre contemporâneo e a maturidade reivindicará família, companheirismo e lazer.




Adequação é a palavra-chave para a mulher que deseja se vestir bem depois dos 50. Ela não precisa estar na moda, mas sempre de acordo com a ocasião e idade. Uma calça apertada, barriguinha de fora ou minissaia poderá levá-la ao rídiculo. Com a idade, é melhor insinuar e não revelar.”

Beatriz Castro, repórter.



Aos 60 anos

Ministra Eliana Calmon - Corregedora do CNJ


Conhecemos mais nosso corpo do último fio de cabelo à ponta dos pés. Conseguimos administrar melhor nossas reações e comportamentos. Não temos mais ilusão com o corpo, sequer com a vida e pessoas. A mulher dos 60 está colhendo o que plantou, em décadas passadas, em relação à saúde, família, profissão e relacionamentos. Nossa aparência é atemporal. Escolhemos estampas, cores e modelagens com menos desejos de sermos notadas. Entretanto, se já gostávamos de acessórios vamos investir naqueles poderosos, atrevidos e de melhor qualidade, quando não às jóias.



“Hoje, as crianças se vestem como se fossem miniaturas de adultos. Existe um estilo para cada idade. É essencial escolhermos uma roupa que atenda o nosso gosto, valorize o corpo, mas respeite a idade. Um casaco mais comprido, uma calça com cintura alta faz parte do meu guarda-roupa.”

Euliene Staudinger, professora.




A partir dos 70 anos


Capítulo final da novela "A vida da gente" - Nicette Bruno e Stênio Garcia



Chegarmos aos 70 anos com saúde e paz de espírito é uma vitória imensurável. Rosto e mãos, principalmente, vão revelar a marca do tempo e nós, sábias que somos, devemos nos orgulhar. Nesta fase, a mulher não está com tantas preocupações com as roupas e acessórios, mas com o conforto e facilidade nas combinações. A tendência é sermos sóbrias nas cores e nos gestos. E como disse em seu discurso a personagem Iná, interpretada pela atriz Nicette Bruno na novela “A vida da gente”, Rede Globo, no último capítulo,  devemos brindar à experiência. Eis o texto:

“Quem teve o privilégio de viver muito sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes, as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam; outras vezes elas se depositam devagar, como um conta-gotas, diante da avidez das nossas perguntas. E por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, como tantos amigos aqui do nosso baile, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida. Amores ardentes se extiguem, urgências se acalmam, passos ágeis alentam. Enfim… tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família. Só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando. E é por isso que eu queria nessa noite, erguer um brinde a ele, que esculpiu no meu rosto e na minha alma, a sua marca, da qual eu tanto me orgulho. Então… ao tempo!”

*

“A moda para cada idade depende muito do biotipo da mulher. No meu caso, gosto de blusinhas de algodão que são fresquinhas. Prezo pelo meu conforto e não abro mão do meu estilo.”

Salette Trindade, Bibliotecária.



E você? Sua roupa tem idade?



Um comentário:

  1. Que bela coletânea, Jô. Não sei se gostei mais das dicas, ou dos depoimentos. Cada um no seu tempo e gosto. Mas fiquei bastante emocionada com a grande Nicete Bruno. Que exemplo de profissional, mãe, esposa e, principalmente, MULHER. Sempre a admirei, mas neste novela, ela foi soberba. Parabéns a ela e a você.
    Bjs, Sandra

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