Ser magro ou emagrecer?




Miguel Falabella é um dos autores que trabalham e expõem muito bem os preconceitos, embutidos em cada um de nós, nas suas novelas. Os folhetins vêm sempre marcados por personagens que vivem o dilema de uma aceitação própria e/ou social. Aceitação de ter nascido pobre, favelado, negro, homossexual, adotado ou até mesmo de ser gordo. Com uma maestria, irônia e muito bom humor, Falabella consegue olhar pela outra face do espelho e colocar nos personagens uma dose de ousadia e coragem, mas pincelada de humildade e sinceridade, a exemplo de Ana Girafa, Marysol e Marieta, interpretados pelos atores Luis Salém, Mary Sheyla e Renata Celidônio, respectivamente, em “Aquele beijo”.

Mas, se nas novelas o homossexualismo já é um tema explorado há bastante tempo e vencer na vida utilizando o talento e arte também, o mesmo não se pode dizer do esbanjar da sensualidade e até erotismo de uma personagem que de tão obesa, contracena geralmente sentada. Marieta, em cenas pouco comuns, desperta interesse de vários homens que preferem à carne aos ossos, levando a personagem à aprovação de boa parte do público feminino. Porque apesar da obesidade ter sido considerada a doença do século 21, pela Organização Mundial de Saúde – OMS, e ser a causadora de muitas doenças como hipertensão e diabetes, é nesta situação que se encontra mais de 50% da população brasileira que amarga um sobrepeso.




Entretanto, nem sempre a magreza está associada à saúde, assim como o sobrepeso não está relacionado às taxas elevadas de colesterol, glicose ou outra doença. Ou seja, existem gordinhos bem saudáveis e magrinhos bem doentes. Mas, ambos têm uma relação bem estreita com a vaidade, autoestima e satisfação pessoal.

Por isso, a forma com que encaramos o nosso corpo diante do espelho faz uma enorme diferença para determinamos se queremos ou não sermos magros ou gordos. Uma vez, a atriz Suzana Vieira disse, num programa de televisão, que quando estava gorda não se considerava gorda. Quando emagreceu, pôde perceber o quanto estava acima do peso. Na verdade, Suzana estava bem como ela mesma e a decisão de emagrecer foi uma imposição do trabalho que, no caso de algumas pessoas, esta imposição é social, já que os amigos cobram e a família também. As piadinhas ferem, os risinhos massacram. Essa realidade ainda está bem presente entre adultos e bem acentuado nos adolescentes.


No tablóide, Folha da Saúde, edição de dezembro de 2011, Editora de Publicações Segmentadas, diz o seguinte:
“Quem quer emagrecer muitas vezes protagoniza uma história com dois personagens: ela e a comida. Parece sempre “emagrecendo” e nunca “magra”. O emagrecer parece ser mais cultivado do que a magreza, como um fim em si mesmo e não com um meio de saúde, beleza e bem estar. Perpetuam-se dietas dos mais variados tipos, numa procura sem fim. Por isso, é sempre oportuno perguntar a quem quer emagrecer: Você que ser magro ou emagrecer? Paradoxalmente, para muitas pessoas que desejam, sinceramente, tornarem-se elegantes, o emagrecimento é “perigoso”. Especialmente, quando a gordura é “antídoto contra a intimidade”. A preocupação com o emagrecimento pode camuflar a fuga de outros problemas que, não resolvidos, impossibilitarão o próprio emagrecimento. Por outro lado, esconder-se atrás da gordura pode funcionar como um protetor de afeto.”




Uma pessoa que se sente rejeitada porque é gorda acaba substituindo o amor pela comida. É uma forma de compensação. E um tratamento de emagrecimento está fadado ao fracasso se a pessoa estiver numa fase de insegurança, raivas reprimidas e passando por conflitos pessoais, profissionais e familiares. Também não será frutífero se a magreza partir de um desejo externo e não interior, ou seja, a cobrança pelo corpo perfeito. Contudo, o sucesso estará garantido se a pessoa quiser realmente emagrecer e incorporar-se, mentalmente, a sua nova realidade - o corpo magro.

E você já pensou se quer ser magro ou emagrecer? Diante de qualquer resposta, você pode calcular o número de calorias diárias que precisa:

Divida seu peso por 450 gramas, que equivale a 1 libra. O resultado multiplique por 11. O total será o número minímo de calorias que você precisa.
Agora que saber qual o máximo de calorias você pode ingerir por dia? Ao invés de multiplicar o resultado por 11, multiplique-o por 15.
Exemplo:
Uma pessoa que tem 65 quilos
65000 ÷ 450 gramas = 144,4
144,4 × 11 = 1.588 calorias, no mínimo.
Ou
144,4 x 15 = 2.166 calorias, no máximo.

Sucesso!



Um comentário:

  1. É amiga, preferimos nos esconder no gerúndio ("emagrecendo", "engordando", "separando", "divorciando"...) à nos defrontarmos com o presente, nú e crú. Pois "enrolando" o presente (mascarando-o), ocultamo-nos da realidade.
    Bjs, Sandra

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