Papai Noel vai passar?







Tenho boas recordações de Papai Noel, do bom velhinho. Na minha infância esperava ansiosamente o mês de dezembro para receber o presente, previamente pedido numa cartinha onde eu contava que tinha sido uma boa menina, obediente aos pais e estudiosa, fato que ele podia constatar na caderneta escolar, assim como chamávamos, na época, o boletim escolar. Esta era a condição sine quo non para que ele parasse seu trenó sob minha casa e descesse pela chaminé não de concreto, mas concreta no meu imaginário. Aos passos lentos Papai Noel, carinhosamente e cuidadosamente, depositava o tão esperado presente no sapatinho deixado embaixo da árvore de Natal. Dá para imaginar a alegria quando o dia amanhecia? O bom velhinho era a visita mais esperada do ano todo,  que passava lentamente porque não vivíamos nessa corrida maluca onde o tempo escorre pelas nossas mãos. 




Como os filhos são reflexos dos pais, com os meus não foi diferente. A árvore de Natal ainda hoje é armada no dia, previamente marcado, onde todos se reunem e cada um pode dar a sua contribuição, seja colocando um enfeite ou fazendo com que a iluminação do ano anterior funcione. E Papai Noel? Este, por anos e anos foi tão esperado na sala de visitas, numa vigília, ou nos quartos de meus filhos embalados em sono profundo e encantado.




Com o tempo e num processo natural sem acelerar descobertas, meus filhos foram compreendendo a magia extraordinária do bom velhinho.  Entretanto, mantivemos o espírito do Natal vestido de vermelho, com botas em couro, cabelos e barbas brancas.
E Noel continuou passando... Só que agora os presentes eram pedidos por bilhetinhos, recadinhos e depois ...  por emails. Até que um dia, num desses email’s do meu filho mais velho, veio a seguinte mensagem, com as características típicas da área de Exatas em que ele atua: “Mãe, olha aí como a Física explica a inexistência do Papai Noel. Bjoos. Te amo. Raphael”
A mensagem era enorme e trazia o cálculo de um físico, sem identificação, que relacionava a população de crianças cristãs no mundo com o tempo que seria gasto por Papai Noel para descer pelas chaminés, levando-se em consideração a velocidade do trenó se comparada com a do som, incluindo também na conta o peso da carga de brinquedos...

Devido aos diferentes fusos horários e à rotação da terra, Papai Noel tem 31 horas, no dia de Natal, para executar seu trabalho, supondo que ele viaja de leste para oeste (o que seria mais lógico). Isto nos dá 822,6 visitas por segundo. [...] 1,25 quilômetros por lar a visitar, totalizando uma viagem de 120 milhões de quilômetros. Isto quer dizer que, o trenó de Papai Noel se desloca a uma velocidade de mais de 1000 quilômetros por segundo, ou seja, 3000 vezes a velocidade do som. A título de comparação, o veiculo mais rápido jamais construído pelo homem, a sonda espacial Ulisses, tem uma velocidade de míseros 44 quilômetros por segundo. [...]   
Ainda, 353 000 toneladas viajando a mais de 1000 quilômetros por hora implicam numa enorme resistência do ar - isto queimaria as renas voadoras da mesma maneira que queima um foguete quando da reentrada na atmosfera. Deste modo as duas renas da frente deveriam absorver uma energia de 14,3 quintilhões de joules, por segundo, cada uma. [...]. Durante este tempo, Papai Noel seria submetido a uma forca centrifuga de 17500,06 G. Um Papai Noel de 125 quilos (obeso) seria colado ao fundo de seu trenó por uma forca equivalente de 2 157 507 quilos. [...].
CONCLUSAO: Papai Noel não existe e se um dia tivesse existido, teria virado carvãozinho.

Quando terminei de ler o relato científico, que guardo até hoje e que transcrevi resumidamente, respondi com o coração envolvido nas cores vermelho e verde.

“Filho,
Com certeza, o físico que fez essas contas não tinha pai nem mãe. Nasceu do ovo e quando ele se abriu (por causa da queda) o físico achou o mundo todo cinza, sem cor, sonhos e alegrias.  Portanto, o físico não sonhou, não conheceu o carinho e aconchego dos pais, não se permitiu imaginar e sonhar. Criança que não sonha, não é criança. E o mundo dos adultos tem realidades bem cruéis: violência, doenças, guerras, tempestades, furações, tsunamis e tantos outros.
Criança que é criança traduz pureza, sonho, fantasia, imaginário. Adulto que é adulto alimenta-se dos sonhos, numa atitude inteligente.  Por isso, no apto. 301, Papai Noel sempre chega, cai da chaminé e não se suja, viu (?). Ele procura os sapatinhos e deixa os presentes. Sai puxando as renas com a velocidade do pensamento. E digo mais: os porteiros do prédio (em anos alternados, claro!) já ficaram vigiando as renas enquanto Papai Noel subia pela chaminé. Sabe por quê? Tem muita gente que queria conhecê-lo um dia e não pôde ou não pode.
Te amo, amore fofo da minha vida. Mainha. Um sonho que se sonha só é um sonho. Um sonho que se sonha com os outros é realidade.”

E a partir desta data, Papai Noel, velhinho porém incansavelmente, continuou cumprindo a sua tarefa anual de alimentar sonhos, reviver o prazer de presentear e doar-se, com uma vontade eterna de dividir e ser bom.






















Quiséramos todos nós poder oferecer às pessoas do nosso círculo de amizade (sejam elas familiares, amigos, colegas, companheiros de trabalho ou apenas conhecidos casualmente) os sentimentos que animam Noel, nem que fosse apenas por uma determinada época do ano.
Mas o fato é que nem todos nós somos filhos de Papai Noel para herdamos um amor tão intenso e universal. Um amor capaz de nos fazer trabalhar o ano todo em prol dos outros, e um dia abandonarmos o aconchego do lar, sairmos vencendo obstáculos, percorrendo e eliminando distâncias, sem saber como seremos recebidos e sem aguardarmos retribuição.

Mas nada, nada mesmo do que pudéssemos encontrar pelo caminho poderia retirar a nossa felicidade de realizarmos os desejos e sonhos de outras pessoas. E ao nascer de um novo dia, seríamos novamente esquecidos e  lembrados apenas quando a terra fizesse novamente seu movimento de rotação, em torno do sol, em um pouco mais de trezentos dias. Contudo, jamais provaríamos realmente a tristeza de sermos esquecidos porque estaríamos ocupados, diuturnamente, com a felicidade do próximo. Este é o espírito do Natal.
E com esse sentimento, o Tudo na nécessaire deseja que no Natal você possa ser o instrumento ou mensageiro da alegria para aqueles que lhe cercam. Isso já é um bom começo.  Hô, , hô.
Beijos no coração.

2 comentários:

  1. Ler esta matéria me fez lembrar da minha infância. Bons tempos!!! Feliz Natal para vc e sua família! Que Deus continue sempre abençoando esta linda família! Joselma

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  2. Emocionante e Lindo!Priscila

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Obrigada pela visita.