Queremos ser os idosos de amanhã ?






Um dia desses, recentemente, eu estava num consultório médico e uma cliente, aparentando a mesma idade cronológica da minha, quis passar à frente na hora do atendimento. Depois que eu disse para atendente que tinha chegado primeiro, ela disse que cedia a vez porque respeitava a minha idade. Eu então agradeci pela gentileza. Ela não gostou e disse que eu era irônica. E eu ri porque minha resposta tinha lhe provocado irritação. Na verdade, o que ela queria mesmo era ofender. Como não conseguiu, irritou-se.

E não conseguiu, por razões muito simples: primeiro porque, no auge dos meus 46 anos, não tenho problemas nenhum com a idade; depois gostaria de chegar à velhice e terceiro, ela parecia ser minha contemporânea. Esta última foi a melhor rsrs. 

Pode até parecer que ando na contramão do consenso, ao menos das mulheres. Mas, o fato é que me criei ouvindo minha mãe dizer que gostaria de ter cabelos brancos, um dia, para poder pintá-los de azul, queria ver os filhos crescidos e ter muitos netos. A vida lhe presenteou com netos e até bisnetos, menos a cabeça alvinha aos 81 anos, característica herdada pelas suas três filhas, exceto o filho. Minha mãe como já falei em outras ocasiões, é um exemplo de jovialidade e penso que o seu segredo é aceitar (muito bem, obrigada!) as limitações físicas impostas pela idade.

Mas, existem pessoas que não querem envelhecer e envelhecem. Quando isso acontece, tornam-se amargas e depressivas. Elas vão em busca de uma juventude física que não volta mais. E, ao invés de aproveitarem ainda o melhor que a vida pode lhe oferecer, permanecem entre queixas, reclamações e, nos casos  mais extremos, chegam ao suicídio. 









Atualmente, o Brasil tem 20,6 milhões de pessoas idosas, ou seja, acima de 60 e estima-se que, em 2050, esse número crescerá e irá representar 18% da população do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.  Mas, o certo é que envelhecer, no Brasil, não deve ser fácil. Falta assistência médica adequada para a maioria das pessoas e, mesmo aquelas que podem ter um plano de saúde, têm que desembolsar valores altíssimos que podem comprometer a renda familiar. Além disso, falta respeito e dignidade. A velhice para muitos representa incapacidade, dependência, marginalidade e falta de atenção.

Esta visão não acontece em todos os lugares e não vamos citar alguns países europeus, mas o próprio Brasil. Uma pesquisa realizada por Maria de Fátima Santos, psicóloga e professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, em 2000, e publicada na Revista Coletiva, publicação científica da Fundação Joaquim Nabuco, que indico, referente ao trimestre de julho a setembro deste ano, revelou que a forma de encarar a velhice modifica de acordo com o meio. 

A pesquisa foi aplicada tanto na zona rural quanto na área urbana e a psicóloga concluiu: “Não há homogeneidade nem na forma de ver nem de viver a velhice. Enquanto no meio rural a idade avançada significa responsabilidade, experiência e respeito, no urbano ela é vista como sofrimento, isolamento, doença e inutilidade.”

Na área urbana, em relação aos aspectos físicos, 71% dos entrevistados associam a velhice às doenças. Já na zona rural, “ela é vista como a falta de força para o trabalho e apenas 34% referem-se à degeneração biológica.”

Outro aspecto, citado pela autora são as interações sociais. “Na zona rural, nenhum dos entrevistados associou a velhice ao desrespeito, enquanto que 44% das pessoas do meio urbano fizeram essa associação.”

Ironicamente, como vimos é no meio rural, onde a maioria das pessoas tem baixo índice de escolaridade, existe a aceitação que a velhice faz parte de um processo natural e que poderia não ser marginal. 

O certo é que existe em nós um instinto de preservação, que cultivamos. E aliado a ele, perseguimos uma eterna juventude e um estágio de aurora. Mas, envelhecer é uma dádiva. Envelhecer bem, com dignidade e qualidade de vida é outra bem maior. 

E neste mês de outubro, quando se comemorou no dia primeiro, Dia Nacional do Idoso, instituído em 2006, lembramos uma frase do gênio Steve Jobs que diz “Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa. Ir para a cama à noite dizendo que fizemos algo maravilhoso, isso importa para mim”– The Wall Street Journal, 1993.

Penso eu, que Steve daria metade de sua fortuna ou quem sabe toda ela para ter tido o direito de envelhecer.

Aos meus velhos amados, pai, mãe e madrinha (que já partiu) meu eterno respeito e carinho. Sem eles, meu mundo não teria o brilho de hoje.

Agora, reserve alguns minutos e faça o teste, enviado pela amiga Lourdinha e elaborado pela Unimed. Saiba qual é a sua real idade biológica. Acesse: http://www.idadeinterior.com.br/








Um comentário:

  1. Já estou me imaginando com 60 anos e estacionando o carro bem pertiiiiiiinho da porta do shopping. kkkkkk

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita.