Dia das Crianças: a culpa foi dos brinquedos

Quando eu era criança tinha muitos brinquedos, principalmente, por ser filha caçula e a diferença entre eu e minha irmã mais próxima ser de nove anos. Alguns brinquedos eu tinha em duplicata como salinha de jantar, cozinha e panelinhas. Mas as bonecas eram incontáveis. Algumas eram tão queridas que foram preservadas e guardadas por mim. Depois foram herdadas por minha filha e enfeitam seu quarto até hoje.

Ter muitos brinquedos pra mim, quando criança, representava também certo trabalho. Porque quando eu terminava de brincar, devia guardá-los e deixar o espaço, que tinha sido usado, do mesmo jeito como havia encontrado: limpo e arrumado.


Se eu tinha arrastado as cadeiras do terraço, aquelas antigonas de ferro, deveria colocá-las no lugar. Depois de uma tarde de brincadeiras, confesso que não era uma tarefa muito agradável. Ficava negociando e pedia a todos que passavam para me ajudarem. Era o que acontecia: ajudavam-me, porém não guardavam por mim.


Mãezinha, boneca da Estrela. A minha ainda hoje enfeita o quarto da minha filha


Mas, o fato era que eu não percebia que, minha mãe numa atitude tão simples e talvez menos intencional do que ela imaginava, estava educando-me para o futuro. Porque o meu universo seria ampliado, numa proporção inigualável que o meu mundo imaginário, na época, não poderia conceber. No futuro, os bonecos e bonecas iriam falar, perderiam a posição de seres estáticos e iriam compartilhar comigo do mesmo espaço físico por horas, dias, semanas, meses ou anos, seja por um tempo determinado ou não. E eu teria que interagir e saber respeitar os limites, normas e regras. Eu poderia até não concordar, mas teria que conviver e submeter-me a elas.

Penso ser por isso que, ainda hoje eu não vejo com naturalidade as pessoas que não arrumam sua estação de trabalho, seja dividida ou não com outras, depois de terminar suas atividades diárias. Pessoas que não fecham armários ou portas depois de abri-las; que não colocam a cadeira no lugar depois de levantar-se; não fecham bem a torneira depois de usá-la; vão ao banheiro e não dão descarga; colocam papéis fora do cesto de lixo; jogam lixo pela janela do carro ou não jogam os descartáveis na lixeira; que retiram objetos para uso e não devolvem ao seu devido local. Enfim, não vejo com naturalidade também o descaso e a falta de comprometimento com a causa que a pessoa estiver inserida.




Concordo com o jornalista Pedro Bial, quando diz que as lições mais importantes de sua vida ele aprendeu na infância. Hoje, eu entendo o significado de guardar os meus brinquedos depois de usá-los.

Como mãe, sei o quanto é difícil, sermos “duronas”, em várias ocasiões, com a finalidade de educarmos.  Como as crianças e adolescentes, atualmente, cumprem exigências para adquirirem competências bem diferentes de muitos de nós em tempos idos, não é tão fácil vermos os filhos cansados e ter que mandá-los guardar todo o material escolar, depois de usá-lo.

Mas, como dizia uma mensagem que não me recordo a sua autoria, neste momento, o “mundo não é maternal”. O mundo vai exigir competências comportamentais que, se não forem adquiridas com amor e sob a tutela dos pais, serão provavelmente nas pauladas da vida. Portanto, se não educarmos em casa, o mundo se encarregará de fazê-lo.

Para uns pode até não parecer, mas está nas lições mais simples a grande aprendizagem:

- Forre sua cama!
- Arrume seu quarto!
- Guarde o que usou!
- Volte e feche o armário!
- Pegue a toalha molhada que está em cima da cama e coloque no varal!
- Não molhe o banheiro!  
- Terminou de usar, guarde!
- Apanhe as meias sujas do chão!




E como não é tão fácil quanto parece tomarmos essa atitude, por experiência própria, posso até afirmar: mesmo que os filhos façam aquele “biquinho” e denguinho pedindo a nossa cumplicidade, disfarce e mantenha sua autoridade. Haverá muitos outros momentos do seu carinho ser transformado em beijos, xêros e abraços.

Beijo grande e um bom feriado!


Aproveite a companhia dos filhos, ao máximo, em qualquer idade que eles tenham. 



Um comentário:

  1. É mainha,
    eu lembro na época em que a gente pedia pra tu negociar com o bichinho da cárie pra a gente poder dormir sem escovar os dentes.
    UAHuAuAuAhUA

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