Na casa da vovó, tudo pode!






“As nossas férias deste ano foram muito boas. Depois de alguns dias que eu estava na casa da vovó, chegaram meus primos, o Fábio e a Lucila. Além deles, eu tinha ainda o meu amigo Juca para brincar, pois ele estava morando na mesma cidade em que a vovó mora.

Nós quatro passávamos o dia juntos.

Estava muito bom, mas ficou melhor ainda quando apareceu o Seu Cândido, um velho amigo da casa, desde o tempo em que o vovô ainda era vivo. Bateu palmas e já foi entrando:

- Boa tarde, Dona Maria. Como vai?

- Oh! Seu Cândido! Quanto tempo já faz que o senhor não aparece!  Como vai Dona Elza? E o sítio? E a saúde? Sente-se.
Seu Cândido sentou-se e foi respondendo a todas as perguntas que a vovó fazia. Há muitos anos que ele mora num sítio perto da cidade. De vez em quando, vem fazer uma visita para a vovó. Quando vem, ele a convida para passar uns dias no sítio, mas a vovó nunca foi. Sempre há alguma coisa que atrapalha. ”

Esse texto faz parte do primeiro capítulo do livro didático “Tempo de Escola”, de Nelly Camargo, Neuza Rocha Goyano e Nivia Gordo, edição de 1973, Editora Abril. Nele, as autoras dizem logo na apresentação que apesar de ser um livro escolar, ele fala de férias das crianças Zeca, Juca, Fábio e Lucila e que ao terminar o ano letivo, o estudante irá sentir saudades.

E sentimos mesmo...

Precisa dizer que, desta vez, vovó Maria aceitou o convite de Seu Cândido? Que Zeca, Juca, Fábio e Lucila foram elementos determinantes para que vovó Maria aceitasse o convite? Que eles tiveram umas férias maaaraaaaviiilhooosaaassss?




Guardei este livro, que faz parte da minha infância, até os dias atuais. Era lendo as suas lições que eu sonhava com as férias na casa de uma vovó. Penso que existem várias momentos inesquecíveis na vida, mas as férias, tardes, manhãs ou horas na casa da vovó devem ficar gravados para o resto de nossas vidas. Meus avôs maternos e paternos partiram muito cedo e não usufruí de suas companhias.

Hoje, observando a relação de meus filhos com os avôs, concluo que toda vovó e vovô são munidos de uma permissividade sem tamanho, de uma irresponsabilidade saudável e uma couraça de proteção tamanho do manto de Nossa Senhora. São eles que dão chicletes, chocolates e bombons escondidos nos momentos em que proibimos, fazem pacto de não contar os segredinhos que resultariam em um bom castigo, intercedem com autoridade de nossos pais para que sejamos brandos com a criançada e reservam seu lugar na prateleira dos heróis. 

É na casa dos “vôs, como são carinhosamente chamados,  que existe leveza, alegria e prazer. Porque é nesse castelo intangível que eles têm uma varinha mágica para atender aos desejos e brincadeiras dos netos, com uma disposição e paciência invejáveis a nós, enquanto pais, muitas vezes revelamos não ter.

Aliás, disposição é um estado físico que não falta nos avós, principalmente, naqueles que tornam-se responsáveis pela educação dos netos, enquanto os filhos vão para o trabalho; ou  naqueles que, por condições adversas a sua vontade, se viram forçados a serem tutores dos netos.

Para todos esses heróis anônimos, o dia de hoje – Dia da Vovó, pode não ter o gostinho de um presente comprado numa loja como o comércio tanta incentiva, digamos ser isso o que menos importa. Na verdade, acredito que todo avô e avó querem mesmo é ter sua imagem plasmada na mente dos netos pela eternidade afora.

Portanto, para quem os têm, aproveite muiiiiiiiito.

Para  todos os “vôs”, Feliz Dia.










2 comentários:

  1. Para mim um dois melhores livros infantis que já li. Pena que não consigo encontra-lo (a coleção de três volumes) para compra-lo.

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  2. Gostaria muito de comprar a coleção também, mas não encontro em lugar algum. Tenho somente um, que pertencia ao meu pai, do tempo em que ele ia na escola.

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Obrigada pela visita.