Em algum lugar do passado...






Já pensou se pudéssemos resgatar o tempo ou pará-lo em algumas ocasiões? Reviver alguns momentos, de uma época longínqua de nossas vidas, nem que fosse por frações de segundos? Quanto nós pagaríamos por isso? Muitos momentos seriam impagáveis, não é verdade?

Como ainda não temos a máquina ou o túnel do tempo que nos proporcione fazer um retorno ao passado, nada melhor para os saudosistas do que visitar uma feira de antiguidades, manusear e comprar objetos que fizeram parte de uma história ou mesmo que lembrem a nossa própria história.

Entre as árvores frondosas do jardim lateral do Museu do Estado de Pernambuco, e não poderia ser em um lugar melhor, acontece no último domingo de cada mês, a tradicional Feira de Antiguidades. É lá que muitos colecionadores e apreciadores de relíquias e peças antigas passeiam à tarde, entre os quase vinte expositores, alguns deles proprietários de antiquários na cidade do Recife, como Seu Luiz César que há mais de quarenta anos compra e vende esses objetos.

Paraibano da cidade de Princesa Isabel, Seu Luiz teve seu primeiro contato  com as peças sacras e que pertenciam ao santuário de sua avó materna, quando ainda era criança. Quem é nordestino sabe que nas cidades interioranas da região, os mais velhos têm o hábito de manter um santuário, preferencialmente, na sala de visitas, tradição que já foi mostrada em várias telenovelas. O santuário despertou verdadeiro fascínio para o então menino, Luiz César, que era proibido, pelos adultos, de tocar nas imagens.  Ficando apenas o prazer de colher lírios nos jardins de sua avó e oferecê-las aos santos. Com o tempo, observando que o neto tinha verdadeiro carinho pelas imagens, a avó materna de Luiz César começou a presenteá-lo com peças sacras, mas que apresentavam defeitos.  O menino foi guardado-as até um dia que sua outra avó, desta vez a paterna, lhe deixou de herança uns santos de origem portuguesa.

























Com vinte e dois anos, Luiz mudou-se para Recife. Trouxe na bagagem sua herança afetiva e quando houve um congresso internacional, no Centro de Convenções, em Olinda, pelos idos dos anos 70, Luiz resolveu expor as imagens e muitas moedas de prata que colecionou. Foi um sucesso. Os congressistas tão logo reconheceram o valor histórico das peças, fizeram boas ofertas em dinheiro e Luiz acabou vendendo até a imagem sacra que tinha pertencido a sua bisavó.

Hoje, Seu Luiz Cesar possui um antiquário no Centro do Recife e faz questão de frisar que o considera mais um brechó, já que vende também peças usadas e de pouco valor. Algumas dessas peças são deixadas pelos clientes, em forma de consignação e outras são compradas pelo comerciante que revela ter um ótimo acervo de porcelanas, quadros, molduras e móveis.





Como eu sou apreciadora antiguidades, visitar uma feira como essa é um prazer indescritível. Incorporar, em algumas partes da casa, objetos que fizeram parte do passado e/ou que lembram a infância trazem uma particularidade para o ambiente, tornando-o único. Misturar o retrô com o clássico e moderno confere um charme à decoração e dá asas a nostalgia.

Vale conferir.


Feira de Antiguidades
Museu do Estado de Pernambuco
Av. Rui Barbosa – Graças
Dia: último domingo de cada mês

Feira de Antiguidades do Shopping Paço Alfândega
Rua Madre de Deus – Bairro do Recife
Recife - Pernambuco
Dia: primeiro domingo de cada mês

Luiz Cesar Antiguidades
Av. Dantas Barreto, 979 – Bairro de São José
Recife - Pernambuco
Fone: (81)3224-6584





Um comentário:

  1. A-do-rei a matéria, a montagem de fotos no começo (uma colorida e a outra preto e branco) deram um efeito ótimo.

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Obrigada pela visita.