Um mundo maravilhoso


Eram as duas últimas aulas da quinta-feira. Início de mais um semestre do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco. Os alunos todos inquietos e torcendo para que chegasse à sexta-feira. Iríamos iniciar mais uma disciplina, dessa vez “Literatura infanto-juvenil”, ou seja, lá vêm mais teorias...
A professora, ruivissima, entrou na sala segurando em uma das mãos a pasta e na outra, uns livros. Silêncio. Ela sentou em cima do birô, cruzou as pernas, pegou um livro no meio de tantos outros, se apresentou e disse: - Hoje eu vou contar uma história pra vocês.
Abriu o livro “Pluft, o fantasminha”, de Maria Clara Machado, e começou a ler. Tornamo-nos crianças. Com o livro levantado para que todos nós pudéssemos ver as ilustrações, a professora nos transportou para uma velha casa onde vivia um fantasminha que tinha medo de gente, mas que tinha conseguido viver uma linda amizade com a menina Maribel.
Dando a devida impostação de voz que o texto pedia, a professora A. L. Lapenda fez suspense e gerou expectativa em cada página que virava. Inesquecível! Quando terminou a história, um colega de turma disse: - Ahhh, acabou!? Queremos mais. Risadagem na sala. Estávamos todos contagiados com a leitura. Daí pra frente, em todas as aulas tínhamos a hora do conto, depois a análise do livro e no final do semestre cada equipe apresentou a sua historia. Aprendemos a contar histórias, a conquistarmos crianças e adolescentes para embarcar numa viagem de encanto, magia, curiosidades, diversão, descobertas e conhecimento que a leitura proporciona.
Levei essa aprendizagem para vida pessoal. Quando meu filho nasceu, ainda na minha licença-maternidade eu abria um livro infantil e contava a história, passando as páginas na sua frente. Não foi diferente, anos depois com minha filha, até chegar o dia em que eles foram passando as páginas dos livros e fazendo a leitura das ilustrações, sozinhos, até ingressarem no domínio das letras, já na alfabetização. Além de adquirir bons livros infantis, eu tinha feito também assinaturas de gibis.
Hoje, eles lêem, ou melhor, devoram livros tanto impressos como digitais. Em vários anos pediram como presente de Natal: livros. Quando me perguntam como foi que criei neles o hábito de leitura, respondo: lendo. Um dos melhores meios de educar, em todos os sentidos, ainda é o exemplo. Pais que lêem, tem grandes possibilidades de ter filhos leitores. Deixar pela casa, sempre disponível algum livro ou revista para que a criança possa folheá-lo, permite que a criança se acostume ao seu manuseio, com naturalidade, e aprenda também a conservá-lo. Ler para os nossos filhos faz uma diferença enorme na sua formação como futuro leitor. Levá-los às livrarias, feiras de livros, lançamentos, festivais literários e bibliotecas contribui para ambientá-lo neste imenso universo da escrita, onde o exercício fará um grande diferencial no seu processo de escolarização. A leitura deverá ser um momento prazeroso, de aproximação entre pais e filhos, e imersão num mundo imaginário que, no futuro, lhes dará condições de reflexão, discernimento, mudanças e atitudes.
E nesse mundo virtual que ora compartilhamos e que não dispensa a leitura, deixo para vocês um endereço, enviado pelo meu amigo Marcilio, da biblioteca digital do MEC:  http://e-livros.clube-de-leituras.pt/ . Nela, o leitor, de 3 a 16 anos,  terá condições de interagir com o texto. Divulguem e viajem neste mundo maravilhoso.

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