Como vai a nossa tolerância?


Entre as virtudes que todos nós deveríamos desenvolver, uma delas é a tolerância. Isso nos ajudaria a melhorar nosso relacionamento no trânsito, no trabalho, na escola, no lar e tantos outros lugares aonde precisamos aceitar opiniões e atitudes diferentes das nossas.   

Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa (2.ed.,2008), da Academia Brasileira de Letras , tolerar é “permitir algo contrário ao que se acha ou se faz, [...] suportar, aceitar [...] ser capaz de ingerir algo sem sofrer transtornos.” Mas,  tolerar é um exercício que, talvez, muitas pessoas concordem ser bem difícil. Aceitar aquilo que consideramos erros dos outros sem, obviamente, ser conivente ainda é uma atitude de poucos.

A mensagem que hoje o Tudo na nécessaire publica, de autoria desconhecida, foi enviada pela amiga Izamar. Ela fala sobre o relacionamento humano, no tocante ao lugar mais necessário de exercermos não apenas a tolerância, mas todas as virtudes: a nossa casa.

É no lar que estamos desnudos na real essência do ser. Acreditando, a autora deste blog, numa vida além túmulo e no resgate de nossos vícios e defeitos através da reencarnação, aprendi, nos livros, ser no lar que encontramos opiniões divergentes, antigos amores e algozes do passado sob a condição de família.

Um beijão para todos, esperando que a mensagem seja uma boa reflexão para iniciarmos a semana.
 
TORRADAS QUEIMADAS

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. Eu me lembro, especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho muito duro. Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastantes queimadas, defronte do meu pai.

Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia na escola. Eu não me lembro do que respondi, mas lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada na manteiga, geleia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse:
"- Adorei a torrada queimada..."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa-noite em meu pai, perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse:

- Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada. Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias! 

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros. Desde que eu e sua mãe nos unimos aprendemos, os dois, a suprir as falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando. Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar. A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apóia. Eu e ela nos completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes. Não significa que mais tarde, o dia que um partir, este mundo vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor. De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos.

Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida, a você e ao próximo. 


Um comentário:

  1. querida Joseane ,foi um prazer conhecer seu BLOG, e maior prazer em ler este texto excelente sobre tolerancia, estava realmente precisando desta leitura, pense como é difícil ser tolerante,MAS
    extremamente necessário. ADOREI.
    Beijos,
    Ângela (sua quase cabelereira)

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