Atrite-se

Fim do feriadão e imersa novamente no ritmo diário, repasso um texto que recebi faz muito tempo sobre a arte de se relacionar. 


“Ninguém muda outra pessoa e não mudamos sozinhos. Mudamos a partir dos encontros. É nos relacionamentos que nos transformamos, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela ideia e sentimento do outro.
Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio e as pedras que estão em sua foz?
As pedras que estão na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas. À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio, sofrem a ação da água e vão se atritando às outras. Por muitos anos, as pedras vão sendo polidas e desbastadas. Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona e árida.
Com o tempo, constatamos que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro. Passar pela vida sem se permitir um relacionamento é não crescer, não evoluir, não se deixar transformar. É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.
Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em mim várias marcas de pessoas extremamente importantes. Pessoas que me permitiram ir dando a forma que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, harmônico e integrado. Outras pessoas, sem dúvida, com suas ações e palavras, criaram-me novas arestas que precisarão ser desbastadas.
Faz parte...
Reveses momentâneos servem para o crescimento e chamamos de experiências. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos e ao seu final percebemos que perdemos alguns deles. Quando, finalmente, aceitamos que somos pequenos, ínfimos na compreensão da existência e, principalmente, em relação a grandeza de Deus, nos tornamos verdadeiramente grandes.
Você já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos o quanto se tira de excessos para chegar ao seu âmago. É lá onde está o verdadeiro valor. Pois, Deus fez cada um de nós com um âmago bem forte e parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor. Deus deu a cada um a capacidade de amar. Só temos que aprender a forma.
Por muito tempo acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte das etapas de construção do aprendizado do amor. Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e superando-os.
Ora, esses sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento...
E envolvimento gera atrito. Minha palavra final: ATRITE-SE!
Não existe outra forma de descobrir o amor. E sem ele a vida não tem significado.”

Texto: Roberto Crema  
Bom início de semana para todos.      

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