Conversando com Deus

Sábado, à noite, estava passeando pelo comércio da cidade de Gravatá, interior de Pernambuco, quando avistei um senhor, aparentando uns 50 anos, que retirava água da fonte, com a ajuda de uma sacola plástica, e regava as plantas da praça que existe em frente à Igreja Matriz de Sant’Ana.
Era Seu Sebastião, ex-canavieiro e que apesar da aparência maltrapilha, tem apenas 36 anos. Ele me contou que é andarilho há mais de seis anos. Já morou no estado de Alagoas e foi lá que uma ex-companheira extraviou seus documentos. De lá pra cá, na clandestinidade como afirmou várias vezes, vive na rua, pedindo ajuda para sobreviver.
Por que ele estava regando as plantas? Ele disse: - “Moça, eu faço isso todos os dias porque Deus não esta na palavra do padre, nem do pastor, mas nas plantas.”

Sem dúvida, regando as plantas, Seu Sebastião estabelece, diariamente, seu contato com Deus.






Fiquei pensando como a fé é um sentimento peculiar de cada indivíduo. Podemos seguir uma religião, contabilizar quantas vezes vamos a “nossa” igreja, ajudamos um amigo ou alguém próximo, mas mensurar o tamanho de nossa fé é impossível.

Em qualquer igreja cristã que frequentarmos, ouviremos repetidas vezes os ensinamentos evangélicos, definições morais e religiosas que, em algumas ocasiões, podem até serem esquecidas devido à intensidade da dor.

E será nessa hora que a nossa conversa, com a força que rege o universo, seja Deus, Allah, Jeová, Oxalá ou qualquer outro nome que denominarmos, não se fará por fórmulas prontas, mas pelo sentimento que une o criador à criatura, o amor.

Há alguns anos atrás, recebi de meu amigo Otávio, uma pequena história extraída da Revista Espírita Allan Kardec, número 48, abr./jun. 2002, da autora Célia Vieira, intitulada “Tapetinho vermelho” que repasso para vocês:                   

 “Uma mulher morava em uma humilde casa com sua netinha muito doente. Como não tinha dinheiro para levá-la a um médico e vendo que, apesar de seus cuidados e suas ervas, a pobre criança piorava a cada dia, decidiu iniciar a caminhada de duas horas até a cidade próxima, em busca de ajuda.
Lá, procurou o único hospital público, mas foi orientada a retornar a casa e trazer a neta para que fosse examinada.
Quando caminhava de volta, angustiada por saber que a criança sequer conseguia levantar-se da cama, a mulher passou em frente de uma igreja e, com muita fé em Jesus, apesar de nunca ter entrado em um santuário, resolveu pedir ajuda.
Encontrou algumas fiéis orando, ajoelhadas. Elas receberam a visitante e, após se inteirarem da triste situação, convidaram-a para orar pela criança.
Após quase uma hora de fervorosas orações e pedidos de intercessão ao Mestre, as fiéis já iam se levantando quando a mulher disse-lhes:
- Eu também gostaria de fazer uma oração.
Vendo que se tratava de alguém de pouca cultura, retrucaram:
- Não é necessário. Com as nossas orações sua neta irá melhorar.
Ainda assim, a mulher insistiu e começou a orar:
- Jesus, sou eu. Olha, a minha neta está muito doente.
Eu gostaria que Você fosse lá curar ela. Jesus, Você pega uma caneta que eu vou dizer onde fica.
As fiéis entreolharam-se, mas continuaram ouvindo.
- Já está com a caneta, Jesus? Então, Você vai seguindo em frente e, quando passar o rio, Você entra na segunda estradinha de terra. Não vai errar, tá?
As senhoras esforçavam-se para não rir. Ela continuou:
- Andando mais uns vinte minutinhos, tem uma vendinha. Pega a rua da mangueira que o meu barraquinho é o último da rua. Pode entrar que não tem cachorro.
As fiéis já começavam a se impacientar com o monólogo.
- Olha, Jesus, a porta está trancada,  mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho, na entrada. O Senhor pega a chave e cura a minha netinha. Mas, olha só Jesus, por favor, não se esquece de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho vermelho, senão eu não consigo entrar.
As senhoras interromperam aquela insólita situação dizendo que não era desta forma que se deve orar e que fosse para casa sossegada, pois elas eram pessoas de muita fé e Jesus, por certo, iria ouvir suas preces e curar a menina.
A mulher foi para casa, um pouco desconsolada... Ao entrar, sua netinha veio correndo lhe receber.
- Minha neta, você está de pé? Como é possível?
E a menina respondeu:
- Eu ouvi um barulho na porta e pensei que fosse a senhora voltando. Aí, entrou em meu quarto um homem alto, com um vestido branco e mandou que eu me levantasse. Não sei como, eu me levantei.
Inundada de alegria a menina prosseguiu:
- Depois ele sorriu, beijou minha testa e disse que tinha de ir embora, mas pediu que eu avisasse à senhora que ele ia deixar a chave embaixo do tapetinho vermelho...”

Bom início de semana para todos.

Um comentário:

  1. Estou me sentindo "o cara" porque o meu nome está no seu blog!!!!!! Bjs e sucesso sempre!

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